26 de maio de 2026
The Star Kings
Edmond Hamilton
The Star Kings (1947)
Em 1980 li quatro livros de Edmond Hamilton e gostei particularmente de Trevas nas Estrelas (The Haunted Stars). Passados todos estes anos voltei à sua obra, através de The Star Kings. Edmond Hamilton (1904-1977), um dos autores da chamada Era Dourada da FC, publicou o seu primeiro conto na revista Weird Tales, em 1926. The Star Kings é um remake futurista de The Prisoner of Zenda, uma novela de 1894 de Anthony Hope; foi editado pela primeira vez na Amazing Stories em 1947, e três anos depois em livro, sob o título Beyond the Moon.
A história é um tanto esgrouviada: o protagonista, John Gordon, recebe uma comunicação telepática de outro homem, Zarth Arn, que vive 200 mil anos no futuro e se apresenta como um cientista que viaja no tempo, através da troca de mentes. Ele propõe-se habitar o corpo de Gordon durante seis semanas, enquanto Gordon ficará no corpo do cientista durante o mesmo período, e assim terá a oportunidade de visitar um futuro distante, fazendo-o prometer que em nenhuma circunstância divulgará a troca efectuada. Gordon acaba por concordar mas, após a troca, descobre que Zarth Arn, além de cientista, é filho do imperador Centro-Galáctico, cujo império está ameaçado por Shorr Kan, o vilão, líder da Liga dos Mundos Escuros. Após sofrer uma tentativa de rapto, é levado para o planeta Throon, a capital imperial, no sistema de Canopus e, por uma questão de segurança, impedido de voltar à Terra, ao laboratório onde deveria fazer reversão das mentes. Em Throon, no corpo de Zarth Arn, John Gordon começa a deparar-se com as dificuldades em conseguir fazer-se pela pessoa que não é, vendo-se depois envolvido numa perigosa conspiração, que faz perigar o destino do Império, e num romance com Lianna, princesa do reino de Fomalhaut, que devia casar com Zarth Arn para selar uma aliança política.
Com personagens que usam manto, reinos estelares, cruzadores espaciais, batalhas no espaço e planetas selvagens de atmosfera respirável, é fácil perceber que The Star Kings transpira space-opera por todas as letras. É também o primeiro livro de John Gordon, e reparei que o segundo, Regresso aos Céus (Return to the Stars), foi um dos que li em 1980, mas o único do qual não me resta lembrança alguma — provavelmente porque não me impressionou demasiado. Tal como este; é imaginativo, sem dúvida, mas o melhor de Edmond Hamilton encontra-se certamente entre a sua obra tardia.
Nearer and nearer the five ships flew toward the Cloud. All the universe ahead was now a black, swirling gloom.
Then, keeping to their tight formation, the squadron plunged into the Cloud.
Darkness swept around the ship. Not a total darkness but a gloomy, shadowy haze that seemed smothering after the blazing glory of open space.
Gordon perceived that the cosmic dust that composed the Cloud was not as dense as he had thought. Its huge extent made it appear an impenetrable darkness from outside. But once inside it, they seemed racing through a vast, unbroken haze.
There were stars in here, suns that were visible only a few parsecs away. They shone wanly through the haze, like smothered bale-fires, uncanny witch-stars.
The Markab and its escort passed comparatively close to some of these starsystems. Gordon glimpsed planets circling in the feeble glow of the smothered suns, worlds shadowed by perpetual twilight.
Homing on secret radar beams, the ships plunged on and on through the Cloud. Yet it was not until next day that deceleration began.
“We must be pretty nearly there,” Gordon said grimly to the woman.
Lianna nodded, and pointed ahead through the window. Far ahead in the shadowy haze burned a dull red, smoldering sun.
“Thallarna,” she murmured. “The capital of the League of Dark Worlds, and the citadel of Shorr Kan.”
Gordon's nerves stretched taut as the following hours of rapid deceleration brought them closer to their destination.
Meteor-hair rattled off the ships. They twisted and changed course frequently. The shrilling of meteor-alarms could be heard each few minutes, as jagged boulders rushed upon them and then vanished in the automatic trip-blast of atomic energy from the ship.
Angry green luminescence that had once been called nebulium edged these stormy, denser regions. But each time they emerged into thinner haze, the sullen red sun of Thallarna glowed bigger ahead.
“The star-system of Thallarna was not idly chosen for their capital,” Lianna said. “Invaders would have a perilous time threading through these stormy mazes to it.”
Gordon felt the sinister aspect of the red sun as the ships swung toward it.
Old, smoldering, sullen crimson, it glowered here in the heart of the vast and gloomy Cloud like an evil, watching eye.
And the single planet that circled it, the planet Thallarna itself, was equally somber. Strange white plains and white forests of fungoid appearance covered much of it. An inky ocean dashed its ebon waves, eerily reflecting the bloody light of the red sun.
The warships sank through the atmosphere toward a titan city. It was black and massive, its gigantic, block-like buildings gathered in harshly geometrical symmetry.
Li anteriormente:
O Vale da Criação (1954)
A Última Cidade da Terra (1951)
Trevas nas Estrelas (1960)
22 de maio de 2026
A Família Artamonov
Máximo Gorki
A Família Artamonov (1925)
O sentido do título original russo talvez fosse melhor traduzido por «a casa Artamonov»; apesar do tema ser uma história familiar ao longo de três gerações, essa mesma história anda em redor de uma fábrica, o negócio da família. Essa narração inicia-se nos anos 60 do séc. XIX, quando Elias Artamonov, após a abolição da servidão, decide instalar-se em Driomov com os seus três filhos e construir ali uma fiação de linho. A sua determinação faz o negócio prosperar e casa o filho mais velho, Pedro, com Natália, a filha do governador. O segundo filho, o corcunda Nikita, entra num convento, enquanto o sobrinho adoptado, Alexis, é mais dado à diversão.
É pois Pedro Artamonov que acaba por herdar a direcção da fábrica e fazê-la crescer, vivendo a sua vida em função dela. Mas o seu filho preferido, Elias, recusa-se a continuar a sua obra e, após uma discussão, afasta-se para sempre. O outro filho, Tiago, tem uma personalidade mais fraca e é Miron, filho de Alexis, que assume maior peso directivo nessa terceira geração. No entanto os tempos mudaram e, quando chegamos ao fim do livro, com a ocupação da fábrica em plena revolução bolchevique, Pedro é já um velho desfasado da realidade, enquanto o filho e o sobrinho se haviam mostrado, por diferentes razões, incapazes de liderar a firma. Ao longo de quase todo o livro destaca-se ainda a personagem de Tikhon Vialov, o tecelão cujas palavras, nem sempre inteiramente compreendidas, soavam como uma espécie de má-consciência aos ouvidos dos Artamonov.
A Família Artamonov acaba por ser uma narrativa algo sombria sobre as relações difíceis e a decadência de uma família. (Decadence é, diga-se a propósito, o título de uma das traduções em inglês.) É um belo livro e Máximo Gorki um nome a acrescentar à minha lista de grandes autores na literatura russa.
As semanas, alegres e tumultuosas, passavam como uma roda; Miron, Tatiana, o médico, e toda a gente em geral tornaram-se amáveis uns para com os outros. Vieram desconhecidos da cidade e levaram com eles o serralheiro Minaev. Depois, a Primavera chegou, tépida e cheia de sol.
— Escuta, queridinho — dizia Paulina — eu não percebo nada do que se passa. O czar renunciou a reinar, estropiaram, mataram os soldados, correram com a polícia, em toda a parte são os civis que mandam, como é que vamos viver? Todos farão o que lhe apetecer e com certeza Jiteikine não me deixará descansar. Nem ele nem todos aqueles que me fazem a corte e que eu recusei. Hoje, que tudo é de cada um, já não posso mais, não quero viver mais aqui, quero ir viver onde ninguém me conheça! E, se se fez a revolução e todos são livres, foi naturalmente para que cada um vivesse como lhe apetecia.
Paulina estava cada vez mais apressada, mais faladora. Tiago via nas suas palavras algo de irrefutável, e procurava tranquilizá-la:
— Espera mais um pouco, isto vai arrumar-se, e então. . .
Mas já não acreditava que a agitação acalmasse; via que, diariamente, na fábrica, o ruído era maior, mais ameaçador. O homem que se habituou a ter medo encontra sempre um motivo de receio. Tiago começou a recear o crânio moreno de Zakhar Morozov. Este adquirira o aspecto de um pequeno czar, os operários seguiam-no como os carneiros seguem um cão. Mitia girava à sua volta como uma coruja presa. De facto, Morozov assemelhava-se agora a um cão enorme que aprendeu a andar nas patas traseiras. A pele queimada do seu crânio estalara nalguns sítios; por vezes, enrolava um turbante à volta da cabeça, uma toalha pertencente a Tatiana e que Mitia lhe dera. Esta cabeça desmedida esmagava Zakhar, diminuía-o; caminhava tão vagarosamente como o gordo chefe da polícia Ecke, os polegares enfiados debaixo do cinto de soldado gasto e, mexendo os outros dedos como barbatanas, clamava:
— Ordem, camaradas!
Mandou julgar três operários que tinham roubado linho; interrogava-os com voz forte para que se ouvisse em todo o pátio:
— Compreendem que roubaram?
E logo ele próprio respondia:
— São vocês mesmos e somos nós os roubados! Acham que se pode roubar agora, filhos de cães?
13 de maio de 2026
Yo Rescaté a Mussolini
Karl Radl
Yo Rescaté a Mussolini (1951)
O então capitão da Waffen-SS Karl Radl (1911-1981), o mais próximo colaborador de Otto Skorzeny, foi o principal planificador da missão de resgate de Mussolini, na qual também participou. Nascido na Áustria, tal como Skorzeny, esteve igualmente preso em Darmstadt após o final da guerra e também foi inocentado por falta de provas. Skorzeny abandonou a prisão em Julho de 1948, rumo a Espanha, e Radl seguiu-lhe o exemplo em Setembro, mas permaneceu na Alemanha. Foi recapturado em Munique em Março de 1949 e condenado a dois anos e meio num campo de trabalho forçado, que se consideraram cumpridos pela detenção anterior. Radl converteu-se num comerciante têxtil de sucesso em Frankfurt. Publicou Befreier fallen vom Himmel, em Buenos Aires, em 1951 (que deverá estar na origem desta tradução em espanhol, editada na mesma cidade em 1955), e também se regista Die Blitzbefreiung Mussolinis – Mit Skorzeny am Gran Sasso, de 1996, provavelmente uma reedição com um título diferente.
O livro começa nos finais de Julho de 1943 com a notícia do derrube de Mussolini. O Duce estava preso em parte incerta e Hitler encarregou Skorzeny de efectuar o seu resgate. É descrito com pormenor o desenrolar das semanas posteriores, desde a concepção da operação, a avaliação das pistas falsas ou enganosas, à atmosfera de desconfiança instalada entre militares italianos e alemães durante o governo de Badoglio. A partir do momento em que o local de detenção do Duce foi localizado, com razoável certeza, num hotel de Gran Sasso, na região montanhosa de Abruzzo, deu-se início à operação de resgate, uma autêntica "missão impossível", concluída com êxito em Setembro daquele ano.
Desde la estación inferior del funicular pregunta el mayor Mors si puede subir. Naturalmente, cuando quiera, pero no vamos a esperarle. En aquel momento sale el Duce con todo su séquito del hotel.
Todos quieren fijar esa escena con sus cámaras fotográficas. Es extraño la cantidad de máquinas fotográficas cuya existencia no sospechábamos.
Tengo en mis manos la valija del Duce. He estado tan ocupado que no he tenido tiempo ni para sacarme el casco de acero, siendo casi el único que no lo ha cambiado por el birrete. Ni siquiera me he sacado la cartuchera.
Cuando el Duce se encuentra ya a unos diez metros del hotel, aparece el mayor Mors con los tenientes primeros Schulze y Kurts, que vienen de la estación superior del funicular. Se nos acercan. El mayor Mors saluda a Skorzeny y pide que le presente a Mussolini.
—Duce, le presento al mayor Mors, del batallón de paracaidistas, a los que se debe el triunfo en la acción del valle.
El Duce estrecha la mano de Mors, hace dos o tres preguntas y sigue caminando en dirección al avión. El corresponsal de guerra, von Kayser, fotografía esa escena. Un mes más tarde aparece en el Observador Ilustrado. Lo imprimen en gran formato. En medio aparece la cabeza del Duce, al lado el mayor Mors, detrás el teniente primero Schulze. El texto dice así: «El Duce habla con sus libertadores.»
Nos quejamos de inmediato al doctor Goebbels, para quien el asunto es muy penoso. Invita a Skorzeny a una cena íntima, en la que se discute la cuestión. En la prensa no se hará más sensacionalismo con esos hechos. Pero Skorzeny y yo hablaremos en una transmisión radiotelefónica, rectificando las cosas y explicándolas como se han descrito en este libro.
Todos se encuentran ante el Fieseler Storch. El capitán Gerlach pensó volar solo con el Duce, lo que no hubiera sido difícil. Pero Skorzeny le hace saber que él acompañará a Mussolini. Al principio Gerlach se opone, pero finalmente Skorzeny logra convencerlo. Los tres se meten en el pequeño Storch. Gerlach se sienta adelante, serio y pálido. Detrás de él, Mussolini, y detrás del Duce, con sus dos metros de altura inclinado sobre Mussolini, el capitán Skorzeny.
Cuando vemos aquellos tres hombres en la pequeña máquina, se nos ponen los pelos de punta. El Duce se despide, me da otra vez la mano y me recomienda que me ocupe de su valija. Gerlach cierra la ventanilla corrediza del asiento del piloto y arranca el motor.
Va montaña abajo por la senda de la cual se han eliminado los cantos rodados. Pero a los dos tercios de la pista improvisada hay una zanja de desagüe que la cruza, formando ángulo. Gerlach quiere evitarla. Intenta despegar; efectivamente, el Storch salta sobre la zanja, pero de repente se inclina el lado izquierdo del tren de aterrizaje, parece volcarse hacia allí y salta algunos metros sobre un precipicio.
Las piernas se niegan a sostenerme, mejor dicho, parecen haber desaparecido de golpe. Siento que me hundo y caigo, como si me sentara sobre una de las valijas del Duce. ¡Gracias a Dios no lo ha notado nadie! Los hombres creen que me he sentado. En realidad he caído como si fuera un saco. Es la postrer reacción del esfuerzo y la excitación de los últimos días. Tengo el presentimiento que todo ha sido inútil, pues el Duce morirá en el aeroplano. De hecho, pienso en pegarme un tiro. Todos miran hacia allí. No se oye ni una palabra.
Más allá de la garganta, el Storch vuela, vuela de verdad, vuela en dirección a Roma.
10 de maio de 2026
A Conquista de Lisboa aos Mouros – Relato de um Cruzado
Aires A. Nascimento
A Conquista de Lisboa aos Mouros – Relato de um Cruzado (1147 e 2001)
Não é a primeira vez que o texto medieval serve de base à edição de um livro — já tinha acontecido em 1935, por exemplo, quando foi publicado Conquista de Lisboa aos Mouros (1147), narrada pelo Cruzado Osberno, testemunha presencial, com tradução de José Augusto Oliveira e prefácio de Augusto Vieira da Silva, como complemento a Lisboa Antiga, de Júlio de Castilho.
Mas esta é versão de Aires Augusto Nascimento, formado em Filologia Clássica e especializado em Estudos Medievais, com vasta e reconhecida obra publicada sobre os temas da sua especialidade. Na Introdução, de Maria João V. Branco, é explicado o contexto histórico e as diferentes interpretações relativas ao documento — a começar pela autoria e destinatário, relativamente à versão de 1935 — e a justificação do motivo porque foram incluídos outros dois textos, com ele relacionados, a Notícia da Fundação do Mosteiro de S. Vicente de Lisboa e o Documento de doação do cruzado Raul a Santa Cruz de Coimbra (1148).
A epístola, de 1147, conhecida por De Expugnatione, descreve a concentração dos cruzados, originários de vários reinos do Norte da Europa, em Dartmouth e a viagem marítima até Lisboa, escala de um percurso que os levaria até à Terra Santa. O cerco à cidade estava previamente tratado entre D. Afonso Henriques, os bispos portugueses e os líderes da cruzada. O desembarque no Tejo deu-se em finais de Junho e o cerco demorou quase quatro meses até à conquista, descrevendo-se as vicissitudes e as consequências do desfecho.
Assim, rogando em altas vozes o auxílio divino, aproximaram finalmente a máquina da frente da muralha, a uma distância de uns quinze côvados.
Aí morreu um dos nossos atingido por uma pedrada de funda atirada das muralhas. No dia seguinte, de novo, a máquina é deslocada para junto da torre que fica situada num recanto da cidade frente ao rio.
Os inimigos, porém, levaram igualmente para ali todos os seus aprestos de defesa. Logo que isso descobrimos, com facilidade fizemos fracassar os seus planos, pois os nossos desviaram a máquina para a direita frente ao rio e ultrapassaram a torre uns vinte côvados junto à muralha perto da Porta Férrea que está voltada para a torre. Aí os nossos besteiros e frecheiros repeliram da dita torre os inimigos que não conseguiam aguentar o ritmo das setas, pois a torre ficava a descoberto pela parte posterior que está voltada para a cidade.
Afugentados os inimigos da torre e da muralha, vizinha da nossa máquina, com a chegada da noite descansámos um pouco, tendo todos regressado ao acampamento, mas deixando de guarda cem cavaleiros dos nossos e cem dos franceses com frecheiros e besteiros e alguns jovens ligeiramente armados.
Ora, na primeira vigília da noite, a maré cheia envolveu a máquina e impedia que os nossos tivessem caminho para sair ou para entrar. Tendo os mouros descoberto que a maré nos isolava, a pé, atacaram a máquina com duas companhias de homens através da dita porta, enquanto outros, em multidão inacreditável, por cima das muralhas, tendo acarretado materiais de lenha com pez, estopa e azeite com substâncias incendiárias de toda a espécie, começam a atirá-los à nossa máquina. Outros ainda lançavam sobre nós uma chuva insuportável de pedras.
Havia, porém, debaixo das asas da máquina, entre ela e a muralha, um abrigo de vimes que em língua vulgar toma o nome de gato valisco, em que se mantinham sete mancebos da província de Ipswich que tinham trazido sempre esse abrigo atrás da máquina. Ali debaixo, juntamente com os que se encontravam em andares inferiores, alguns dos nossos procuravam, tanto quanto lhes era possível, desfazer os materiais inflamáveis, mas em vão. Outros, por seu lado, tendo aberto covas debaixo da máquina e aí permanecendo, dispersavam as bolas de fogo. Uns, nos andares cimeiros, através de postigos regavam de cima os couros que se retesavam; aí havia uns renques de vassouras de cauda, pendentes da parte de fora, que molhavam toda a máquina. Os restantes, porém, dispostos em linha de batalha, resistiam com ardor aos que tinham avançado desde a porta.
Foi assim a máquina defendida nessa noite em esforço digno de admiração, por um punhado dos nossos, sob a ajuda de Deus, sem grandes feridas, enquanto a maior parte dos mouros, pelo contrário, mais de perto ou mais de longe, tinham caído mortos.
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