2 de novembro de 2023

El Teosofismo: Historia de una pseudorreligión


René Guénon
El Teosofismo: Historia de una pseudorreligión (1921)

No Prólogo, o autor sublinha a diferença entre teosofia, uma designação genérica que abarcava um conjunto variado de autores que se tinham dedicado a temas esotéricos inseridos numa tradição cristã ocidental, e o teosofismo, um neologismo necessário para descrever a doutrina – um termo aqui indevidamente aplicado – da Sociedade Teosófica, que na época alcançava uma projecção notável. René Guénon desmonta depois toda a Sociedade Teosófica, desde o seu início envolvida em escândalos que a desacreditavam, até ao seu corpo religioso-filosófico, por vezes plagiado, num amontoado confuso de ideias avulsas, frequentemente contraditórias. Não existia qualquer ligação à tradição e, longe de ser a "origem comum" de todas as doutrinas, como pretendia, tudo isto se agrupava à volta de duas ou três ideias, aparecidas na modernidade, de natureza ocidental – evolução, materialidade, humanismo – revestidas de uma aparência oriental.
A edição original de O Teosofismo: História de uma Pseudo-Religião é de 1921, mas René Guénon actualizou posteriormente algumas considerações e acrescentou notas de rodapé sobre factos entretanto acontecidos, bem como uma secção dedicada à recensão de livros e revistas, mais ou menos relacionados com o tema da obra, publicados entre 1929 e 1948.

De la amalgama de todos esos elementos heterogéneos que acabamos de indicar salieron las grandes obras de Mme Blavatsky, Isis Dévoilée y Doctrine Secrète; y estas obras fueron lo que debían ser normalmente en semejantes condiciones: compilaciones indigestas y sin orden, verdaderos caos donde algunos documentos interesantes están ahogados en medio de un cúmulo de aserciones sin ningún valor; ciertamente, sería perder el tiempo buscar ahí dentro lo que puede ser encontrar mucho más fácilmente en otras partes. Por lo demás, abundan los errores y las contradicciones, que son tales que las opiniones más opuestas podrían encontrar ahí su satisfacción: por ejemplo, se dice sucesivamente que hay un Dios, después que no lo hay; que el «Nirvana» es una aniquilación, y después que es todo lo contrario; que la metempsicosis es un hecho, después que es una ficción; que el vegetarianismo es indispensable para el «desarrollo psíquico», después que es simplemente útil, y así con todo lo demás. Pero todo esto se comprende sin mucho esfuerzo, ya que, además de que las ideas de Mme Blavatsky han variado ciertamente en una medida muy amplia, escribía con una rapidez prodigiosa, sin referirse nunca a las fuentes, ni, probablemente, a lo que ella misma había escrito ya. Sin embargo, es esta obra tan defectuosa la que ha formado siempre el fondo de la enseñanza teosofista, y a pesar de todo lo que ha podido venir a agregarse o a superponerse a ella después, e incluso de las correcciones que se le han podido hacer sufrir bajo la cubierta de la «interpretación», goza siempre, en la Sociedad, de una autoridad incontestada, y, si no contiene la doctrina toda entera, contiene al menos los principios fundamentales, si es que se puede hablar de doctrina y de principios cuando se está en presencia de un conjunto tan incoherente.

Cuando hablamos aquí de autoridad incontestada, eso se aplica sobre todo a la Doctrine Secrète, pues no parece ser lo mismo para Isis Dévoilée. Así, M. Leadbeater, al establecer una suerte de «plan de estudios» para el teosofismo, recomienda vivamente la primera, a la que llama «El mejor libro de todos», pero ni siquiera menciona a la segunda. Vamos a indicar aquí una de las razones principales de esta reserva, que se explica fácilmente, ya que es sobre todo la comparación de estas dos obras lo que hace resaltar las variaciones y las contradicciones que señalamos hace un momento.

[...]

En efecto, la verdad es que no ha habido nunca ningún «budismo esotérico» auténtico; si se quiere encontrar esoterismo, no es ahí donde es menester dirigirse, ya que el budismo fue esencialmente, en sus orígenes, una doctrina popular que servía de apoyo teórico a un movimiento social de tendencia igualitaria. En la India, no fue más que una simple herejía, que ningún lazo real pudo vincular nunca a la tradición brahmánica, con la que, al contrario, había roto abiertamente, no sólo desde el punto de vista social, al rechazar la institución de las castas, sino también desde el punto de vista puramente doctrinal, al negar la autoridad del «Veda». Por lo demás, el budismo representaba algo tan contrario al espíritu hindú que, desde hace mucho tiempo, ha desaparecido completamente de la región donde había tenido nacimiento; tan sólo en Ceylán y en Birmania existe todavía en estado casi puro, y, en todos los demás países donde se extendió, se ha modificado hasta el punto de devenir completamente irreconocible. Generalmente, en Europa se tiene una tendencia a exagerar la importancia del budismo, que, con mucho, es ciertamente la menos interesante de todas las doctrinas orientales, pero que, precisamente porque constituye para el Oriente una desviación y una anomalía, puede parecer más accesible a la mentalidad occidental y menos alejada de las formas de pensamiento a las que está acostumbrada. Esa es probablemente la razón principal de la predilección de que ha sido objeto siempre el estudio del budismo por parte de la gran mayoría de los orientalistas, aunque, en algunos de entre ellos, se hayan mezclado intenciones de otro orden, que consisten en intentar hacer de él el instrumento de un anticristianismo, al que, evidentemente, en sí mismo, es completamente extraño.

Li anteriormente:
O Esoterismo de Dante (1925)
El Reino de la Cantidad y los Signos de los Tiempos (1945)
La Crisis del Mundo Moderno (1927)

27 de setembro de 2023

Introdução à Noomaquia

 

Aleksandr Dugin
Introdução à Noomaquia (2018)

As dez "lições" que compõem a Introdução à Noomaquia são o resultado de outras tantas palestras, dadas por Aleksandr Dugin em Belgrado, em Março de 2018, na apresentação do seu vasto projecto editorial, ainda em curso, Noomaquia. Sendo um livro de filosofia pura, há alguns conceitos-base que é necessário dominar, explicados logo no início, dos quais se destacam: o Nous, que designa o pensamento, que se expressa através do Logos, uma identidade cultural colectiva. Já Nietzsche tinha abordado a questão do Logos, a forma de entender o mundo, atribuindo-lhe um carácter apolíneo ou dionisíaco, aos quais Dugin acrescenta agora o cibelino, que vem complementar e fechar o edifício teórico dos conceitos anteriores. Todas as culturas, ou civilizações, possuem estes três Logoi, em proporções diferentes, num equilíbrio designado por momento noomáquico, que lhes transmite a sua peculiaridade; este equilíbrio não é estático e, com o tempo, o Logos predominante pode ser modificado, por causas internas ou externas. A Noomaquia é essa guerra do Nous, do pensamento, da visão do mundo, sempre latente como realidade dinâmica.
A Noologia, o estudo do Nous, é aqui apresentada como a base filosófica e metafísica da multipolaridade, no reconhecimento da pluralidade das culturas, descartando desde logo caminhos de desenvolvimento universal e normativos do pensamento. O respeito pelas diferentes culturas no tempo e espaço, sem tentar impor valores falsamente universais, nem enganosas escalas de avaliação, torna a Noologia num instrumento ao serviço da Quarta Teoria Política, também da autoria de Dugin, que está a construir um dos mais importantes legados filosóficos dos pensadores da sua geração.
Apesar do que o título possa sugerir, não é o livro de entrada no tema – esse intitula-se «Em Busca do Logos Negro» – e, neste momento, Aleksandr Dugin tem já uma longa série de obras a ele dedicadas, sobretudo na análise do Logos particular dos povos e respectivas culturas. A Introdução à Noomaquia debruça-se essencialmente sobre as linhas de força da cultura indo-europeia, desde a pré-História ao séc. XXI, sendo um livro altamente recomendável para quem procura as chaves que ajudam a entender os tempos presentes, bem como a razão de ser dos nossos esquemas de pensamento.

A tradição da Grande Mãe, de origem balcânica e anatólia, continuou assim a viver na cultura agrícola das sociedades indo-europeias sedentárias. Primeiro houve uma expansão da civilização matriarcal pré-indo-europeia por toda a Europa. Depois houve a onda das invasões indo-europeias, que criaram sociedades europeias mistas e sedentárias, sob hegemonia indo-europeia. E a realidade é que essa camada campesina pré-indo-europeia matriarcal sempre constituiu parte considerável da população da Europa. Isso explica por que nos nossos contos populares, nos nossos mitos, nas nossas tradições, existem tantos elementos e figuras matriarcais, mais ou menos ocultos. No nível da casta dos trabalhadores, na terceira função das sociedades indo-europeias, foram integradas ao longo do tempo muitas histórias sobre cobras, rainhas, deusas, espíritos, demónios e outras criaturas mitológicas femininas de vários tipos — por exemplo, pense-se na Rusalka eslava. Isto aconteceu porque, quando as tribos indo-europeias se estabeleceram, assimilaram esse horizonte existencial na sua estrutura.
É como um “pacto histórico” entre vencedores e perdedores. Oficialmente, a civilização da Grande Mãe perdeu essa batalha titânica contra os deuses olímpicos, e essa vitória fundou todo o nosso sistema ético e toda a sequência da história europeia, que é a história de como os turanianos conquistaram a “Velha Europa”, a civilização paleo-europeia. No entanto, o horizonte existencial conquistado viveu e ainda vive em nossa sociedade, na terceira função. Poderíamos até escrever uma história da casta europeia de cultivo completamente paralela à “história oficial”, isso é a história das obras e empreendimentos das duas primeiras castas (reis, heróis, santos, aristocratas, etc.), como se estivéssemos a lidar com uma civilização específica incorporada na “civilização oficial”. Não sabemos quase nada sobre esse mundo, já que sempre celebramos apenas os feitos das castas superiores. Só nos séculos XVIII e XIX se passou a compilar o folclore desse mundo campesino, num renascimento da tradição nacional que reagia contra o Medievo e o feudalismo. E aí descobrimos que havia uma imensa quantidade de narrativas e elementos sobreviventes da tradição europeia arcaica, temas que no Medievo estava totalmente fora da esfera de interesses das castas eruditas. [...]

Podemos definir o universo agrícola e camponês como o ponto de encontro de dois horizontes existenciais, dois Dasein, ambos pertencentes à nossa civilização europeia: o horizonte do Logos de Apolo, representado pela ideologia trifuncional oficial, e o horizonte do Logos de Cibele, uma ideologia paralela, que conota a tradição de matriarcal e está presente na parte escura, no subconsciente da sociedade agrícola e sedentária. A nossa sociedade é baseada neste momento de Noomaquia. Mas a Noomaquia é um conflito contínuo; por outras palavras, ele continua no presente. O Logos de Cibele continua a existir dentro da nossa civilização. Não podemos acreditar na vitória de um Logos de uma vez por todas. Se o Logos de Apolo enfraquece, significa que outro Logos está a tornar-se mais forte. Assim, se o patriarcado começar a dissolver-se — é o caso da modernidade ocidental e, em particular, da pós-modernidade — outra tendência contrária começará a aparecer, a tornar-se cada vez mais explícita.

15 de setembro de 2023

Out Of Africa


Isak Dinesen [Karen Blixen]
Out Of Africa (1937)

Karen Blixen, que utilizava os pseudónimos Isak Dinesen nas edições em língua inglesa, e Tania Blixen nas de língua alemã, fez de Out Of Africa, mais que um livro de memórias, um registo da mudança dos tempos. Há uma certa nostalgia por um passado que se esfuma um pouco a cada dia que passa, desde as alterações na paisagem natural, às perdas e mortes de pessoas próximas, até ao abandono final da propriedade onde tinha planeado ficar o resto da vida. Da sua herdade, a plantação de café junto ao monte Ngongo, próximo de Nairobi, no Quénia, assiste-se ao ocaso de uma Inglaterra colonial no limiar dos novos tempos, onde o rugido dos leões à noite ainda convive com a chegada dos tractores agrícolas, sinal de uma "civilização" onde deixa de haver lugar para os pioneiros e para os aventureiros. E onde, segundo conta, os nativos, pelo convívio forçado com os colonos de diferentes origens, são já mais cosmopolitas do que os próprios agrários, dedicados ao quotidiano da sua vida sedentária.

When we had all our kilns lighted we sat down and talked of life. I learned much about Knudsen’s past life, and the strange adventures that had fallen to him wherever he had wandered. You had, in these conversations, to talk of Old Knudsen himself, the one righteous man,—or you would sink into that black pessimism against which he was warning you. He had experienced many things: shipwrecks, plague, fishes of unknown colouring, drinking-spouts, water-spouts, three contemporaneous suns in the sky, false friends, black villainy, short successes, and showers of gold that instantly dried up again. One strong feeling ran through his Odyssey: the abomination of the law, and all its works, and all its doings. He was a born rebel, he saw a comrade in every outlaw. A heroic deed meant to him in itself an act of defiance against the law. He liked to talk of kings and royal families, jugglers, dwarfs and lunatics, for them he took to be outside the law,—and also of any crime, revolution, trick, and prank, that flew in the face of the law. But for the good citizen he had a deep contempt, and law-abidingness in any man was to him the sign of a slavish mind. He did not even respect, or believe in, the law of gravitation, which I learnt while we were felling trees together: he saw no reason why it should not be—by unprejudiced, enterprising people—changed into the exact reverse.
[...]
In the Reserve I have sometimes come upon the Iguana, the big lizards, as they were sunning themselves upon a flat stone in a riverbed. They are not pretty in shape, but nothing can be imagined more beautiful than their colouring. They shine like a heap of precious stones or like a pane cut out of an old church window. When, as you approach, they swish away, there is a flash of azure, green and purple over the stones, the colour seems to be standing behind them in the air, like a comet’s luminous tail.
Once I shot an Iguana. I thought that I should be able to make some pretty things from his skin. A strange thing happened then, that I have never afterwards forgotten. As I went up to him, where he was lying dead upon his stone, and actually while I was walking the few steps, he faded and grew pale, all colour died out of him as in one long sigh, and by the time that I touched him he was grey and dull like a lump of concrete. It was the live impetuous blood pulsating within the animal, which had radiated out all that glow and splendour. Now that the flame was put out, and the soul had flown, the Iguana was as dead as a sandbag.

30 de agosto de 2023

O Despertar dos Mágicos

 


Louis Pauwels & Jacques Bergier
O Despertar dos Mágicos (1960)

A ideia inicial de Louis Pauwels, um escritor e jornalista francês com interesses místicos, era escrever um livro sobre as sociedades secretas; do seu encontro com Jacques Bergier, também escritor e jornalista, nascido na Rússia e de ascendência judia, resultou um alargamento do âmbito temático da obra, abarcando a alquimia, as civilizações desaparecidas, o esoterismo, a parapsicologia e até, sob outra designação, o trans-humanismo. Le Matin des Magiciens, no título original, foi um sucesso de popularidade na sua época, ajudou a dar visibilidade a assuntos até então marginais, e levou à publicação de uma revista bimensal sobre a mesma temática, Planète, que alcançou uma tiragem de 100 mil exemplares no seu apogeu, embora tenha deixado de se publicar em 1968.
Com o subtítulo "Uma introdução ao realismo fantástico", o livro defende a existência de um segundo plano da realidade, oculto sob a aparência do senso comum, das convenções estabelecidas e das versões oficiais; ele seria, na verdade, uma supra-realidade capaz de se revelar ao observador capaz de ultrapassar os preconceitos vigentes e de examinar os factos de mente aberta. Como reacção a uma ciência mecanicista e determinista, vinda do séc. XIX, o livro ampara-se nos conceitos não-euclidianos das ciências do séc. XX (relatividade, física quântica) para suportar a designada "pseudociência". No entanto, algo contraditoriamente, uma quarta parte do livro é dedicada à demolição do "esoterismo nazi", e à aos seus alegados pressupostos paranormais, sob a forma de propaganda primária, recorrendo a fontes totalmente desacreditadas (como Hermann Rauschning), e apresentando as suas principais figuras como dominadas pela superstição, pela irracionalidade ou pela possessão demoníaca.
O Despertar dos Mágicos é escrito com um grande voluntarismo, assumidamente apressado e superficial no tratamento dos temas, escusando-se na justificação de evitar um volume com demasiadas páginas, deixando as ideias no ar e desafiando outros investigadores a entrar pelas portas que, generosamente, no seu entender, deixa abertas. Resta ainda, a sua previsão de um futuro próximo cheio de novas ciências, nascidas do encontro do "progresso científico" com a "metafísica".

Não afirmamos que acreditamos em tudo, mas mostraremos no próximo capítulo que o campo das ciências humanas é provavelmente muito mais vasto do que imaginamos. Integrando todos os factos, sem qualquer exclusão, e aceitando considerar todas as hipóteses sugeridas por esses factos, sem qualquer espécie de a priorismo, um Darwin, um Copérnico da antropologia criarão uma ciência completamente nova se estabelecerem uma circulação constante entre a observação objectiva do passado e todos os segredos do conhecimento moderno em matéria de parapsicologia, de física, de química, de matemática. Talvez lhes pareça que a ideia de uma constante e lenta evolução da inteligência, de um sempre longo avançar do saber, não é uma ideia sólida mas um tabu que nós instituímos para nos supormos beneficiários, hoje, de toda a história humana.
Qual o motivo por que as civilizações passadas não teriam conhecido súbitos clarões durante os quais a quase totalidade do conhecimento lhes teria sido revelada? Por que motivo aquilo que por vezes se produz numa vida de homem, a inspiração, a intuição fulgurante, a explosão do génio, não se teria produzido várias vezes na vida da humanidade? Não interpretamos nós as poucas recordações desses instantes de uma forma bastante falsa ao falar de mitologia,de lendas, de magia? Se me mostrarem uma fotografia não falsificada de um homem flutuando no espaço, não direi: é a representação do mito de Ícaro, mas direi: é o instantâneo de um salto ou de um mergulho. Qual o motivo por que não haveria estados instantâneos nas civilizações?
Vamos citar outros factos, efectuar outras aproximações, formular outras hipóteses ainda. Haverá sem dúvida muitos disparates no nosso livro, repetimo-lo, mas isso importa muito pouco se este livro suscitar algumas vocações e, em certa medida, preparar caminhos mais amplos à investigação. Não passamos de dois pobres quebradores de pedras: outros construirão a estrada.

17 de agosto de 2023

El Misterio del Grial

Julius Evola
El Misterio del Grial (1937)

Desenvolvendo o tema do Graal, Julius Evola propõe um estudo comparativo da literatura medieval a ele dedicada, toda ela produzida num curto espaço de tempo, entre o último quartel do séc. XII e o primeiro quartel do séc. XIII, correspondente ao apogeu da tradição medieval, o período de ouro do gibelinismo, da alta cavalaria, das Cruzadas e dos Templários. Daí retira o fundo comum das propriedades e virtudes do Graal, correspondentes a um percurso iniciático, em que a demanda do Graal será, na essência, um processo interior, sob uma aparência simbólica em alto grau, devedor da religiosidade celta e indo-europeia após o contacto com o cristianismo.

En cuanto a las referencias sobre José de Arimatea, constituyen el componente cristiano, aunque no católico y apostólico, de la saga. José es representado como «noble caballero» pagano llegado a Palestina que, por los servicios que había prestado a Poncio Pilatos durante siete años, obtiene de éste el cadáver de Jesús y recoge la sangre del costado en una copa que, según algunos textos, es el propio Grial. Encarcelado en «una casa parecida a un pilar hueco en medio de un pantano», a José se le aparece el Señor, quien le entrega la copa: y ésta le da luz y vida hasta su liberación, que según algunos textos no se produce hasta cuarenta años después. Todo esto sucede mientras José todavía era pagano. Más tarde, José recibe el bautismo, y el Señor lo consagra primer obispo del cristianismo mediante un óleo que, por otra parte, parece ser el de una consagración real más que sacerdotal. De hecho, este óleo consagrará más tarde a toda la dinastía del rey de Bretaña, hasta Uther Pendragon, padre del rey Arturo. José y los suyos tienen varias aventuras simbólicas, de las que nos ocuparemos, y en las que se repite el tema de la «Isla», antes de pasar a Inglaterra (país que hemos visto que había adoptado el significado de la «Isla Blanca») del modo sobrenatural que hemos explicado. En el Percevalli Gallois se encuentra la importante mención de que, ya antes de la muerte de Jesús, José había estado en la «Isla», adonde se dirigirá luego Parsifal, mientras que Robert de Boron habla también de misteriosos antepasados de José, a los cuales es necesario prestar igualmente servicio para conseguir formar parte de la Orden; la cual, siendo esto así, debía de existir ya antes de Cristo y del cristianismo. [...]

Sin embargo, en su misma forma cristianizada, esta búsqueda es igualmente desconocida en los primeros textos del cristianismo ortodoxo, y la tradición del Grial tiene visiblemente muy poco en común con la apostólico-romana. Sobre el segundo punto, hemos visto ya que el jefe de la estirpe regia del Grial, José de Arimatea, recibe directamente la investidura de manos de Cristo, y su dinastía, esencialmente real, no guarda relación con la Iglesia de Roma, sino que conduce directamente al reino nórdico del rey Arturo, y una de sus ramificaciones, según Wolfram von Eschenbach, desemboca en el reino simbólico del preste Juan, «rey de reyes». En cuanto al primer punto, si bien la literatura eclesiástica conocía ya el personaje de José de Arimatea y su encarcelamiento, no sabe nada del Grial, ni hay antiguos textos bretones (con excepción de uno, y en un solo pasaje, que parece intercalado) en los que José aparezca como apóstol cristiano de Inglaterra.

[...]

Ya en la llamada secta de los Iluminados de Baviera tenemos un ejemplo típico de la inversión de tendencias a la que hace poco hemos aludido. Ello resulta ya del cambio experimentado por el propio término «Iluminismo» [“Ilustración”] que en su origen estaba relacionado con la idea de una iluminación espiritual suprarracional, pero que posteriormente, por el contrario, se fue haciendo sinónimo de racionalismo, de teorías de las «luces naturales», y de antitradición. A este respecto, se puede hablar de un uso falseado y «subversivo» del derecho propio del iniciado, del adepto. El iniciado, si es verdaderamente un iniciado, puede situarse más allá de las formas históricas contingentes de una tradición particular; puede señalar —cuando reciba el mandato para ello— sus limitaciones y ponerse por encima de sus autoridades; puede rechazar el dogma, porque posee algo más, el conocimiento trascendente, y, en un orden de ideas bien distintas, sabe de la inviolabilidad de este conocimiento; finalmente, puede reivindicar para sí la dignidad de un ser libre, porque se ha desligado de los vínculos de la naturaleza inferior, humana. Del mismo modo, los «libres» son también los «pares», y su comunidad puede ser concebida como una «confraternidad». Pues bien, basta materializar, laicizar y democratizar estos aspectos del derecho iniciático y traducirlos en sentido individualista, para tener inmediatamente los principios-base de las ideologías subversivas y revolucionarias modernas. La luz de la mera razón humana sustituye a la «iluminación» y da origen a las destrucciones del «libre examen» y de la crítica profana. Lo sobrenatural queda arrinconado o se confunde con lo natural. La libertad, la igualdad y la paridad se convierten en las nociones prevaricadoramente reivindicadas por el individuo «consciente de su dignidad» —pero no consciente de su esclavitud frente a sí mismo—, para levantarse contra toda forma de autoridad y constituirse ilusoriamente en razón última de sí mismo, y decimos ilusoriamente porque, en la inexorable concatenación de las distintas fases de la decadencia moderna, el individualismo ha tenido la duración de un breve espejismo y de una falaz embriaguez, y el elemento colectivo e irracional, en la época de las masas y de la técnica, no ha tardado en absorber al individuo «emancipado», o sea, desarraigado y sin tradición.

Li anteriormente:
Imperialismo Pagano (1928)
Revolta Contra o Mundo Moderno (1934)

6 de agosto de 2023

Hitler y la Tradición Cátara

 

Jean-Michel Angebert
Hitler y la Tradición Cátara (1971)

Jean-Michel Angebert, é o pseudónimo colectivo dos autores franceses Michel Bertrand e Jean-Victor Angelini; Michel Bertrand também publicou diversas obras sob o pseudónimo Jean Angebert e, para complicar as coisas, também Jean-Victor Angelini já utilizou esse mesmo pseudónimo.
Há, certamente, centenas de títulos acerca do suposto esoterismo subjacente ao nacional-socialismo, mas esta escolha deve-se a ter sido indicado, algures, como leitura complementar ao livro A Corte de Lucifer, de Otto Rahn; e, de facto, todo um "capítulo preliminar" é dedicado ao autor alemão.
De resto, este Hitler e as Religiões da Suástica (título da edição portuguesa) aprofunda a análise à influência do maniqueísmo e do dualismo, em particular o catarismo, na génese do nacional-socialismo, uma teorização post-factum em que os acontecimentos ocorridos são a fundamentação de quaisquer interpretações das causas hipotéticas que residem na sua origem. Como ilustração foram escolhidos dois parágrafos, significativos, do Prólogo e um excerto do Capítulo VIII.

Creemos que no se debe retroceder ante el peligro, venga de donde venga, sino, por el contrario, aclarar las tinieblas del conjunto del conocimiento. Los historiadores del III Reich fracasaron en su intento de explicación, porque no habían intentado trascender cierta visión conformista de la Historia. El mito hitleriano sólo puede ser comprendido situándolo en un sistema filosófico de comprensión del mundo, en el seno de una corriente histórica de la que no forma más que un eslabón dentro de la cadena de los tiempos.
Los que impulsaron a Alemania a abrazar el estandarte de la cruz gamada no están muertos. Se hallan entre nosotros, como lo estaban en todas las épocas y, sin duda, lo estarán hasta el Apocalipsis. El nacionalsocialismo no fue para ellos más que un vehículo, y Hitler solamente un instrumento. La empresa fracasó. Se trata ahora de resucitar el mito con otros medios, tal como fue realizado en el pasado. El objetivo de este libro es levantar el velo y divulgar las grandes corrientes que atraviesan la Historia, corrientes subterráneas secretas, es cierto, pero muy reales y potentes, animadas como están por hombres imbuidos de una creencia fanática en su misión. Las fuerzas ocultas se preparan en la sombra, en tanto que, sobre la escena, actores impasibles representan tranquilamente una pieza inmutable ante los ojos de un público ignorante.
[...]
Sin embargo, lo que puede parecer sorprendente es que, si los profetas y los fundadores de este movimiento se consideraban iniciados por estas tradiciones orientales, no deberían haber desconocido su destino. Ya que, desde el punto de vista divino, la iniciación occidental y oriental enseña el carácter sacrificial de estos mismos profetas y fundadores de religión...
Así, desde su iniciación, el movimiento nacionalsocialista estaba condenado, por su propia mística, a la aniquilación total y sin remedio; el único error de los dirigentes fue el de no extraer las consecuencias y arrastrar en su locura a una parte del planeta. Si hubieran profundizado un poco más en la tradición indo-tibetana, habrían podido darse cuenta del efecto de bumerang que les estaba destinado: la tradición oriental, revela, en efecto, que el avatara primordial del ciclo actual, que no es otro que el niego, debe retornar, al final del ciclo, para abrasar el mundo y reducirlo a cenizas.

1 de agosto de 2023

La Corte de Lucifer


Otto Rahn
La Corte de Lucifer (1937)

Se o anterior Cruzada contra o Graal era, basicamente, um estudo histórico sobre as expedições movidas pela Igreja de Roma e pela coroa francesa sobre a Occitânia, com o fim de eliminar a heresia cátara, A Corte de Lucifer é um registo das viagens do autor naquela região, a sua visita aos lugares onde se desenvolveram aqueles factos históricos, as conversas que manteve com as pessoas, a análise do que ainda perdurava na memória colectiva, as suas conjecturas e conclusões acerca de um tema que dominava, e sobre o qual sentia uma ligação familiar, através dos seus antepassados "pagãos e hereges", aos quais se refere várias vezes. A viagem não se fica só pela Occitânia, e Otto Rahn procura vestígios do passado também no Norte de Itália, Tirol, Suíça e através da Alemanha, num percurso hipotético que terá levado Wolfram von Eschenbach, autor de Parzival, da Provença à sua terra de origem. O percurso segue depois sempre para Norte, pelo Báltico, pelo Mar do Norte e Atlântico, à Islândia, em busca da lendária Thule, referida por Píteas e Estrabão.

En el presente, a Ginebra confluyen de todos los países los delegados de las naciones que tienen asiento en la League of Nations o Societé des Nations. Los ginebrinos han encontrado otra designación para ésta: Societé des Passions. En castellano: Sociedad de las Pasiones. Muchas naciones y casi todas las razas están representadas aquí para poner más orden en Europa y en el mundo. Para las asambleas en las que hablan en voz alta o ríen bajito los representantes judíos de la Rusia soviética, han construido un palacio monstruoso. Algunos alemanes sin trabajo, al construirlo, han ganado algunos francos. El salario les ha llegado apenas para comer hasta satisfacerse. Faltaron los cincuenta céntimos por día para un camastro en los albergues del Ejército de Salvación, por lo que sólo pudieron acudir a los asilos nocturnos para vagabundos. Estos alemanes tendrán hoy nuevamente pan suficiente y buena cama. En casa.
El palacio de la Sociedad de las Naciones, con su blanco estridente y sus gigantescas dimensiones, irrumpe brutalmente en el paisaje de la antes tan armónica y agradable Ginebra entre el Jura, el Saleve y el Voirons; se levanta en medio de un gran parque del que los ginebrinos, antes con toda razón, se sentían orgullosos y cuya paz deploran haber perdido: el parque Ariana. Con el nombre de Ariana, aquella potencia que teje el destino y la historia del mundo, se ha permitido un chiste.
Ariana es el antiguo nombre de Irán. Lo ostentó la región de los parsis en conmemoración de un "país primitivo ario creado por el dios luminoso", Ariana. Los escritos sagrados de los tiempos antiguos de los arios iraníes informan que cierto día surgió la "serpiente del invierno", y el luminoso paraíso, donde los hombres eran felices y donde ellos siempre vieron a la divinidad, se transformó en una tierra fría, "fría para el agua, fría para la tierra, fría para la vegetación". Por siempre habrá ahora allá "diez meses de invierno y dos meses de verano". (Domina el clima ártico.) De Ariana llegaron los hombres arios. También los indios arios supieron de esta luminosa patria primitiva, el país de los uttarakuru, de los hombres del norte, la "Isla del Esplendor" a orillas del mar Blanco o mar Lácteo, el "divino país de los arios". Ellos enseñaban: "Sé tu propia luz, haz acciones, hazte sabio, sé más fuerte, y podrás entrar al divino país ario".
Oh, ¡parque Ariana de Ginebra! Oh, ¡palacio de la Liga de las Naciones!


Li anteriormente:
Cruzada contra el Grial (1933)

23 de xullo de 2023

El Desembarco


Jean Raspail
El Desembarco (1973)

El desembarco, é a versão em espanhol de Le Camp des Saints, o célebre e premonitório romance de Jean Raspail, publicado em 1973. A narração começa numa segunda-feira de Páscoa, quando uma frota decrépita de uma centena de navios, vinda do Ganges, desembarca um milhão de maltrapilhos na costa sul de França, decididos a invadir aquilo que consideram o paraíso. Isto enquanto, pelo Terceiro Mundo, outras frotas semelhantes se preparam para seguir o seu exemplo. Depois volta umas semanas atrás e faz a cronologia dos acontecimentos que desembocaram naquele autêntico Dia de Juízo Final, os preconceitos políticos e ideológicos da liderança de uma sociedade francesa (e ocidental, de um modo geral) decadente e suicida, que decide enfiar a cabeça na areia e fechar os olhos à realidade. Uma sucessão de cenas plenas de comportamentos ridículos, obtusos, do que hoje se chama "sinalização de virtude", movidos pela desonestidade, pela indiferença, ou até pela plena consciência das consequências, concluídas com a frase "Talvez esta seja outra explicação" (para a catástrofe). No final, o livro acompanha o último punhado de resistentes, que, com enorme ironia, encenam uma farsa que os levará ao desfecho inevitável, num mundo onde já não têm lugar.
O que mais impressiona, na actualidade do tema, é o facto deste romance ter sido publicado faz agora 50 anos; descontando o ocasional anacronismo, o discurso e a ideia geral adaptam-se como uma luva ao tempo presente.

Decir que la noticia de la partida de la flota, cuando fue conocida y publicada, inquietó seriamente al mundo occidental, sería, de entrada, contrario a la verdad. Por eso tanta gente, acto seguido, untó, con complacencia y talento, sus rebanadas con la nata segregada de su cerebro. Las «vacas lecheras» del pensamiento occidental contemporáneo se prestaron meneando el rabo al ordeño cotidiano; tanto más alegremente cuanto que nada demostraba, por el momento, que se estuviese en presencia de un problema grave. Si se quiere comprender algo de la opinión occidental, cara a la flota inmigrante o cara a cualquier otra cosa de una naturaleza extraña, hay que empaparse de una noción esencial, a saber, que todo le importa un pito. Resulta curioso comprobarlo, pero su inmensa ignorancia, la apatía de sus reacciones, la vanidad crasa y el mal gusto de sus impulsos cada vez más escasos, no hacen sino aumentar al ritmo de la información que recibe. ¡Oh! ¡Desde luego! Se ofrece estados de ánimo yendo al cine y se conmueve con la novela de la tele, espontáneamente o merced a la obra de profesionales. El espectáculo del mundo, servido a domicilio por la prostituta llamada Mass Media, viene simplemente a animar la nada donde está sumida hace mucho tiempo. Quien cree pensar no hace sino salivar ante el acontecimiento. A nuestra vez, no escupamos sobre esa saliva. Babeada a la hora de las informaciones o de la lectura de los periódicos, demuestra que hay un juego aparente del pensamiento, como la saliva del perro de Pavlov establecía el mecanismo del instinto. La opinión anima su inercia. Se cree en serio que un occidental medio cualquiera, confrontado con los grandes movimientos del mundo, al salir de la fábrica o de la oficina, no consigue otra cosa que una interrupción provisional del aburrimiento monumental donde se mueve. El Pacto mismo, el Santo Pacto, salvavidas de nuestras sociedades modernas, no es más que una diversión. La Luna, Biafra, un terremoto mortífero, una campaña anticontaminación, una Guerra de Seis Días, una Bahía de los Cochinos, una muerte de Mao no son, de hecho, sino Navidades en las que la nada del pensamiento se adorna de pronto con guirnaldas y toca la flauta. He aquí que no nos aburrimos ya, algo es algo y ya es mucho, ¡con tal de que dure! No es domingo todos los días. Hambre en Pakistán o guerra en Israel. Entre paréntesis, demos las gracias a los israelíes, grandes bufones del mundo occidental. Cuando están en el escenario, ya no nos aburrimos. La gente puede dormir tranquila: al despertar, el día siguiente, el café echará humo con un sabor nuevo al son de los cañones de Israel. Pero ¿sentirse aludido? ¡Jamás! ¿Para qué?

6 de xuño de 2023

Burning Chrome



William Gibson
Burning Chrome (1986)

Burning Chrome, editado em 1986, é uma antologia de contos datados entre 1977 e 1986. Beneficiando do impacto de Neuromacer, estes textos partilham maioritariamente do mesmo universo da trilogia Sprawl e, até, personagens, como acontece em "Johnny Mnemonic". O excerto escolhido pertence a "Hinterlands".

If the first ones to come back had only returned with seashells, I doubt that Heaven would be out here. Heaven was built after a dead Frenchman returned with a twelve-centimeter ring of magnetically coded steel locked in his cold hand, black parody of the lucky kid who wins the free ride on the merry-go-round. We may never find out where or how he got it, but that ring was the Rosetta stone for cancer. So now it's cargo cult time for the human race. We can pick things up out there that we might not stumble across in research in a thousand years. Charmian says we're like those poor suckers on their island, who spend all their time building landing strips to make the big silver birds come back. Charmian says that contact with "superior" civilizations is something you don't wish on your worst enemy.
"Ever wonder how they thought this scam up, Toby?" She was squinting into the sunlight, east, down the length of our cylindrical country, horizonless and green. "They must've had all the heavies in, the shrink elite, scattered down a long slab of genuine imitation rosewood, standard Pentagon issue. Each one got a clean notepad and a brand-new pencil, specially sharpened for the occasion. Everybody was there: Freudians, Jungians, Adlerians, Skinner rat men, you name it. And every one of those bastards knew in his heart that it was time to play his best hand. As a profession, not just as representatives of a given faction. There they are, Western psychiatry incarnate. And nothing's happening! People are popping back off the Highway dead, or else they come back drooling, singing nursery rhymes. The live ones last about three days, won't say a goddamned thing, then shoot themselves or go catatonic."


Li anteriormente:
Mona Lisa Acelerada (1988)
Count Zero (1986)
Neuromancer (1984)

2 de xuño de 2023

Losing Military Supremacy



Andrei Martyanov
Losing Military Supremacy (2018)

Subintitulado "The myopia of American strategic planning", este é um livro que os tudólogos da TV, que comentam chocarreiramente a guerra da OTAN contra a Rússia nas planícies ucranianas, obviamente não leram, ou preferiram ignorar. Andrei Martyanov, reconhecido especialista em assuntos militares e navais russos, era oficial da Guarda Costeira Soviética em 1990, quando assistiu à implosão da URSS. Este livro refere alguns mitos e erros comuns na habitual desvalorização da capacidade militar, tecnológica e económica da Rússia — bem como a profunda incompreensão da mentalidade e psicologia do povo russo e da sua história milenar —, que estiveram na base do presente enfrentamento (não esquecer que a primeira publicação data de 2018). Estes erros, repetidos a toda a hora nos meios de (des)informação, passam para a opinião pública um triunfalismo injustificado e perigoso, inconsciente das falhas, deficiências e limitações do lado atlantista, que podem levar, como último degrau da escalada, à guerra termonuclear.

Modern America is ill; she is not in a good place in any important metric which defines a prosperous and successful nation. Much more goes into success than mostly meaningless Wall Street economic indices and capitalization of the markets, let alone companies which produce nothing of value. It is difficult to explain to people who consider iPhones’ marketing gimmicks or another useless computer contraption in cars, or yet another wasteful feature on Facebook to be hi-tech. It is not. Money is not a good measure of human accomplishment—the new smart-phone and marijuana-addicted generation is not an indicator of any success just because they can afford yet another new model of some electronic toy, while being increasingly less educated, less knowledgeable and much less competent than the generation which preceded them. It is this generation which is already in the process of inheriting a country which in the last quarter century lost most of its appeal for the rest of the world as the bastion of democracy, human rights and sound economic model due to its hubris and the permanent wishful thinking moment it resides in. Today, any mentioning of “democracy”, “freedom of press”, of an incorruptible political class or of economic prosperity in relation to the United States will create an ironic smile at best, sarcastic laughter at worst, around the world, especially so in Russia. [...]
Pax Americana turned out to be just a figment of imagination of the American “academe” which for decades treated war and military power as merely a safe tool in the constant pushing of the American political and economic agenda on the world. This age is over. The main task today is to prevent by all means any possibility of this delusional, self-proclaimed exceptional nation unleashing Armageddon because of frustration with its own weakness which was so suddenly and brutally exposed for the whole world to see.

26 de decembro de 2022

O Esoterismo de Dante


René Guénon
O Esoterismo de Dante (1925)

Trata-se de uma análise assumidamente abreviada ao significado simbólico e numérico que estrutura a Divina Comédia, a obra maior do escritor medieval Dante Alighieri. É uma abordagem seguida por vários analistas da obra, ao longo do tempo, que foram interpretando e desvelando um sentido oculto, em perspectivas por vezes complementares, outras vezes contraditórias. A existência da possibilidade dessa leitura paralela é inegável, pois foi o próprio Dante quem a afirmou.

Assim, que a «Divina Comédia», no seu conjunto, se possa interpretar em diversos sentidos, é qualquer coisa que não oferece margem para dúvidas, visto que possuímos a esse respeito o próprio testemunho do seu autor, seguramente melhor qualificado do que qualquer outro para nos informar acerca das suas próprias intenções. A dificuldade começa apenas, quando se trata de determinar esses diferentes significados, sobretudo os mais elevados ou os mala profundos, e é também aí que começam, naturalmente, as divergências de pontos de vista entre os comentadores. Estes estão geralmente de acordo em reconhecer, sob o sentido literal do relato poético, um sentido filosófico, ou melhor, filosófico-teológico, e também um sentido político e social; mas esses, juntamente com o sentido literal, somam três e Dante adverte-nos para procurarmos quatro; qual é, então, o quarto sentido? Para nós, só pode ser um sentido propriamente iniciático, metafísico na sua essência, e ao qual se ligam múltiplos dados que, sem serem todos de ordem puramente metafísica, apresentam um carácter igualmente esotérico. É precisamente em virtude desse carácter que este sentido escapou completamente à maior parte dos comentadores: e, no entanto, se o ignorarmos ou se o desconhecermos, os outros sentidos só podem ser colhidos parcialmente, porque ele é como que o princípio deles, no qual se coordena e se unifica a sua multiplicidade.

Li anteriormente:
El Reino de la Cantidad y los Signos de los Tiempos (1945)
La Crisis del Mundo Moderno (1927)
El Rey del Mundo (1927)

26 de setembro de 2022

De Benguela às Terras de Iaca



Hermenegildo Capelo & Roberto Ivens
De Benguela às Terras de Iaca (1881)

De Benguella ás Terras de Iácca é o relato da primeira expedição de Capelo e Ivens em território angolano. Desde os preparativos em Luanda ao verdadeiro início em Benguela, de onde saíram a 12 de Novembro de 1877, rumando ao Bié pelo trilho do Sul via Caconda. Belmonte, no Bié, era um dos principais entrepostos comerciais onde chegavam as mercadorias dos sertões distantes, e por tal motivo, ponto de partida das expedições que exploraram e mapearam o interior desconhecido. O percurso seguiu para nordeste, para a bacia do Cuango. Nas cercanias de Cassange foram impedidos, pelos Bangalas, de passar para a margem direita do rio, pelo que a expedição seguiu para Oeste e para Norte, por Malange e Duque de Bragança, até voltar a encontrar a margem esquerda do Cuango, num território habitado pelos ma-iácca – ou seja, as terras de Iaca – que lhes afirmaram ser a primeira vez que homens brancos por lá apareciam. Na impossibilidade de prosseguir para Norte, por doença, falta de recursos e de guia, inverteram a marcha e regressaram a Duque de Bragança, por um trajecto a oeste do anteriormente utilizado. Na paragem neste local sofreram um incêndio no acampamento do qual resultaram perdas de vulto, em bens, instrumentos de medição e registos de viagem. A expedição seguiu depois para Ambaca e Pungo N’dongo, na margem do Cuanza, em territórios já bem conhecidos e cartografados, e, por fim, rumo a oeste até ao Dondo, onde deram por terminada a missão, a 21 de Setembro de 1879. Embarcaram a 11 de Outubro num vapor e, descendo o rio, chegaram a Luanda (uma cidade que contava então pouco mais de 13 mil habitantes, incluindo os subúrbios) no dia 13, 729 dias depois da saída dessa cidade.
As dificuldades apresentadas não são muito diferentes das já relatadas em livros que versam o mesmo tema: o clima, os insectos, as febres (“o menor dos sofrimentos”), o próprio escorbuto, e até, por vezes, a hostilidade dos nativos.

Preparavamo-nos para fazer uma serie de observações magneticas no interesse da sciencia (que tanto exige hoje do viajante), quando a chuva nos demoveu do proposito, deixando sem muita pena esse cuidado a futuros exploradores que por ali transitem e a quem desejamos melhor tempo.
Surprehendidos por uma medonha trovoada, seguida de chuva diluvial, conservámo-nos acampados, com grande satisfação dos nossos, que, em meio de uma nuvem de espesso fumo, enchendo completamente os fundos, passavam de bôca em bôca o cachimbo carregado de tabaco, muito abundante nas terras dos Bondos; substituindo-lhes pouco depois a mu-topa, em que se consome a fatal liamba (Cannabis sativa).
Os fumantes sentam-se em derredor de um amplo brazeiro, d’onde tiram com pequenas tenazes os carvões para começar a operação.
O primeiro que a conduz aos lábios, depois de ter quatro ou cinco vezes aspirado o precioso fumo, estendendo os beiços e chupando sôfrego, desata n’um vivo accesso de tosse, o qual parece tanto mais satisfactorio quanto mais proximo esteve da suffocação.
O cachimbo é logo entregue ao immediato, que continua o processo e fica estatelado, roncando de modo singular.
A agua dentro do chifre borbulha, deixando passar as bolhas de fumo, que produzem ruido especial.
Em breve um vacarme de urros nada permitte ouvir-se.
Os circumstantes, com a bôca cheia de saliva, que expellem a miudo, proseguem na faina, rindo, fallando, excitados pela acção perturbadora do canhamo.
Inspira na verdade dó ver similhante scena.
Mas como impedil-a, se para elles é isto um dos maiores deleites em que podem empregar o tempo?
Ao principio intentámol-o mas infructifero esforço, porque, fugindo para o mato, faziam-no clandestinamente!


Li anteriormente:
De Angola à Contracosta (1886)

14 de agosto de 2022

A Través del Islam


Ibn Batutta
A Través del Islam  (1356 / 2017)

O mapa das viagens de Ibn Batutta, por três continentes, é impressionante. Nascido em Tanger em 1304, a sua primeira viagem foi a Meca, cumprindo um dos preceitos do islamismo. No entanto não fez a viagem de regresso, e prosseguiu para o Médio Oriente, Ásia Menor, Costa Oriental Africana, Índia, Indonesia e China, regressando ao Magrebe ao final de 24 anos. Após esse curto descanso, foi ao reino do Al-Andalus na Península Ibérica e voltou a África, descendo a Timbuktu e dando uma larga volta por Agadez no regresso. No total, as suas viagens decorreram entre 1325 e 1354, tendo depois ditado de memória o registo conhecido como “Rihla” (nome genérico que na cultura árabe designa os relatos de viagens).
O seu relato era praticamente desconhecido no Ocidente até ao séc XIX, quando foi objecto de traduções em francês e inglês. Em 1929 o historiador inglês Hamilton Gibb publicou alguns excertos baseados em traduções anteriores, nomeadamente dos franceses Defrémery e Sanguinetti, mas já se tinha abalançado ao trabalho de fazer a sua própria tradução anotada. A obra teria 4 volumes, e o primeiro só seria publicado em 1958. Gibb morreu em 1971, com 3 volumes publicados (o quarto seria editado sob direcção de Charles Beckingham, em 1994).
A presente edição, com tradução de Serafín Fanjul e Federico Arbós, é a primeira em língua espanhola e assenta sobretudo no trabalho de Gibb, que se tornou um referência. A factualidade e a historicidade de muitas passagens do livro são colocadas em causa por alguns estudiosos, que também têm dúvidas se alguns dos relatos serão realmente experiências vividas pelo autor. Para o prazer da leitura isso é irrelevante (como o era nos relatos do seu contemporâneo Marco Polo).


El quemar a la esposa, tras la muerte del marido es, entre los hindúes, bien visto pero no forzoso. Si una viuda se incinera su familia gana fama y se les honra por su lealtad. Aquella que no se somete a las llamas se viste con ropas burdas y reside en casa de sus padres como signo de indignidad y bajeza por su incumplimiento, pero en ningún caso es obligada a quemarse.

Así, pues, cuando las tres mujeres que hemos mencionado consintieron en ser incineradas, pasaron tres días dedicadas a cantos, músicas, comidas y bebida como si se estuvieran despidiendo de este mundo. Otras mujeres venían a verlas de todos los rumbos. En la mañana del cuarto día trajeron a cada una un caballo sobre el que montaron engalanadas y perfumadas. En la diestra llevaban una nuez de coco con la que jugaban y con la izquierda sostenían un espejo en el que se contemplaban. Los brahmanes las rodeaban y también sus allegados. Delante iban atabales, albogues y añafiles. Los infieles les encargaban: «Transmitid mis saludos a mi padre, o a mi hermano, o a mi madre, o a mi amigo». A lo cual ellas decían sonriendo: «De acuerdo».

Monté a caballo con mis compañeros para ver su comportamiento durante la cremación. Anduvimos unas tres millas y llegamos a un lugar umbrío, muy arbolado y con agua, en una espesa fraga. Entre los árboles se alzaban cuatro templetes, en cada uno de los cuales había un ídolo de piedra. Entre las cúpulas había una alberca encima de la cual la sombra era tan densa y los árboles tan tupidos que el sol no podía penetrar entre ellos. Se diría que este lugar era el mismo infierno. ¡Que Dios nos guarde!

Al llegar ante aquellas cúpulas, las tres descabalgaron cerca del estanque, se zambulleron en él, se despojaron de las ropas y joyas que llevaban y las ofrecieron como limosna. Se les dio entonces una tela basta de algodón inconsútil con la que se cubrieron la cintura, la cabeza y los hombros. Mientras tanto se habían encendido las hogueras cerca del zafareche, en una depresión del terreno, y se había vertido sobre ellas aceite de kunŷud —es decir sésamo— que aviva las llamas. Unos quince hombres sostenían haces de leña y otros diez llevaban grandes tablones. Los músicos permanecían de pie esperando la llegada de las mujeres. El fuego estaba tapado con una manta que sujetaban los hombres para que su vista no las espantara. Vi cómo una de ellas en llegando a la manta la arrebató de manos de quienes la sujetaban y les dijo en persa, sonriendo: «¿Es que creéis que voy a asustarme con el fuego? Sé que es fuego ardiente». Después juntó las manos por encima de la cabeza, como reverenciando al fuego, y se arrojó en él. Momento en que resonaron los atabales, añafiles y albogues y los hombres echaron sobre ella la leña que sostenían en las manos. Otros le pusieron encima los tablones por que no se moviese. Las voces subieron y aumentó la barahúnda. Al verlo, casi caigo del caballo, de no ser por mis compañeros que trajeron agua con la que me rociaron la cara y pude recuperarme.

6 de abril de 2022

Pan

 

Knut Hamsun
Pan  (1894)

Pan é uma das primeiras novelas de Knut Hamsun e considerada entre as mais importantes do escritor norueguês. Nela se exalta a natureza, os animais (Esopo, o cão do tenente Glahn, é co-protagonista) e o amor.
O tenente Tomás Glahn, um caçador e antigo soldado, vive sozinho numa cabana, no bosque, com o seu cão. Um dia conhece Eduarda, a filha de um comerciante da povoação de Sirilund. Apesar da forte atracção mútua, nenhum deles compreende o amor do outro. Glahn acaba por se apaixonar por Eva, que imaginava ser a filha do ferreiro vindo a descobrir depois que era a sua mulher, enquanto Eduarda acaba por ceder a Mack, um barão finlandês de passagem por Sirilund. Devido a uma série de tragédias e pela pressão social, Glahn decide partir.
O desenlace final do livro é passado na Índia e narrado a partir da perspectiva de outra pessoa. Reencontramos Glahn acompanhado de outro caçador, que se apercebe das suas tormentas interiores sem conhecer as razões. Este epílogo intitula-se “A morte de Glahn”.

Conocí a un viejo lapón, ciego desde hacía cincuenta años, que a los setenta imaginábase poder ver un poquito mejor cada día. Los progresos resultaban lentos, lentísimos; pero de no interrumpirse —decía él—, «dentro de seis o siete años podré entrever el sol». Sus cabellos eran negros como los de un joven, y en cambio, sus ojos eran blancos; fumábamos muchas veces juntos, y me decía que de niño había visto perfectamente… Era fuerte, tenaz en la esperanza. Cuando me iba me acompañaba algún trecho, y deteniéndose de vez en cuando, me decía: «Allí está el Sur; allá el Norte; seguirás esa dirección unos trescientos pasos y luego torcerás a la derecha, ¿no es así?». «Así es», decíale yo, y él sonreía entonces satisfecho, asegurándome que la prueba de que veía mejor era que cincuenta años antes no me habría podido indicar la dirección tan exactamente. Luego casi a cuatro patas, se metía en su cabañuela y, sentado junto al fuego, dedicábase a acariciar el anhelo de recobrar la vista… Ya ves… La esperanza es cosa curiosa.

17 de decembro de 2021

El Reino de la Cantidad y los Signos de los Tiempos

 

René Guénon
El Reino de la Cantidad y los Signos de los Tiempos (1945)

O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos é, segundo o prefácio do autor, uma continuação de A Crise do Mundo Moderno, numa perspectiva mais “doutrinal”. É, deste modo, um ensaio que parte de pressupostos pouco habituais na filosofia contemporânea, com um discurso em choque frontal relativamente às tendências dominantes. Um leitor ocasional não conseguirá, provavelmente, ultrapassar as primeiras páginas; ou sentir-se como um cego de nascença, a quem falam sobre a cor azul. É, porém, um livro que encontrará os leitores certos; para esses, O Reino da Quantidade é de leitura obrigatória.

Así pues, la mentalidad moderna está hecha de tal modo que no puede sufrir ningún secreto y ni siquiera ninguna reserva; tales cosas, puesto que ignora sus razones, no se le aparecen más que como «privilegios» establecidos en provecho de algunos, y no puede sufrir tampoco ninguna superioridad; si se quisiera emprender explicarle que éstos supuestos «privilegios» tienen en realidad su fundamento en la naturaleza misma de los seres, sería trabajo perdido, ya que eso es precisamente lo que niega obstinadamente su «igualitarismo». No solo se jacta, muy equivocadamente por lo demás, de suprimir todo «misterio» con su ciencia y su filosofía exclusivamente «racionales» y puestas «al alcance de todo el mundo», sino que este horror del «misterio» llega tan lejos, en todos los dominios, que se extiende incluso hasta lo que se ha convenido llamar la «vida ordinaria». No obstante, un mundo donde todo hubiera devenido «público» tendría un carácter propiamente monstruoso; decimos «hubiera», ya que, de hecho, todavía no estamos completamente en eso a pesar de todo, y quizás eso no será nunca completamente realizable, ya que, también aquí, se trata de un «límite»; pero es incontestable que, por todos los lados, se apunta actualmente a obtener tal resultado, y, a este respecto, se puede destacar que el número de los adversarios aparentes de la «democracia» no hace en suma más que llevar todavía más lejos sus consecuencias si es posible, porque, en el fondo, están tan penetrados por el espíritu moderno como esos mismos a quienes quieren oponerse. Para llevar a los hombres a vivir enteramente «en público» ya no se contentan con juntarlos en «masa» en toda ocasión y bajo no importa cuál pretexto; también se les quiere alojar, no solo en «colmenas» como lo decíamos precedentemente, sino literalmente en «colmenas de cristal», dispuestas por lo demás de tal manera que no les será posible tomar en ellas sus comidas como no sea «en común»; los hombres que son capaces de someterse a una tal existencia han caído verdaderamente en un nivel «infrahumano», en el nivel, si se quiere, de insectos tales como las abejas y las hormigas; y, por lo demás, también se esfuerzan por todos los medios en «adiestrarlos» para no ser más diferentes entre ellos que los individuos de esas especies animales, si no incluso menos todavía.

Como no tenemos de ninguna manera la intención de entrar en el detalle de ciertas «anticipaciones» que serían quizás muy fáciles e incluso rebasadas muy rápidamente por los acontecimientos, no nos extenderemos más sobre este tema, y nos basta, en suma, haber destacado, con el estado al que las cosas han llegado al presente, la tendencia que no pueden dejar de continuar siguiendo, al menos durante un cierto tiempo todavía. El odio del secreto, en el fondo, no es otra cosa que una de las formas del odio por todo lo que rebasa el nivel «medio», y también por todo lo que se aparta de la uniformidad que se quiere imponer a todos; y no obstante, en el mundo moderno mismo, hay un secreto que está mejor guardado que cualquier otro: es el de la formidable empresa de sugestión que ha producido y que mantiene la mentalidad actual, y que la ha constituido y, se podría decir, «fabricado» de tal manera que no puede más que negar su existencia e incluso su posibilidad, lo que, ciertamente, es el mejor medio, y un medio de una habilidad verdaderamente «diabólica», para que este secreto nunca pueda ser descubierto.

Li anteriormente:

La Crisis del Mundo Moderno (1927)
El Rey del Mundo (1927)


14 de agosto de 2021

Primer Viaje em Torno del Globo

 


Antonio Pigafetta
Primer Viaje em Torno del Globo (1525 / 1800)

Antonio Pigafetta, nascido em Vicenza, foi o cronista da expedição capitaneada por Fernão de Magalhães em 1519, a primeira circum-navegação ao globo terrestre, concluída por Juan Sebastián Del Cano após a morte do navegador português. Pigafetta estava ocasionalmente em Espanha, acompanhando uma embaixada romana junto de Carlos V, e, ao saber que se preparava a expedição, conseguiu autorização para a acompanhar, custeando a viagem do seu próprio bolso. Foi um dos dezoito homens que conseguiu regressar a Espanha, em 1522, entre os 237 que tinham partido inicialmente. O seu relato, A Primeira Viagem ao Redor do Mundo, é a principal fonte de informação sobre a viagem.
Como é evidente, Magalhães não partiu em nenhuma expedição oceanográfica; o seu objectivo era chegar à Ilhas Molucas, as ilhas da especiarias, pela rota ocidental. A localização deste arquipélago era vagamente conhecida, e havia razões para acreditar que se encontrava no semi-hemisfério que pertencia a Espanha, de acordo com o Tratado de Tordesilhas.
Regressado a Itália, Pigafetta publicou o seu diário em Paris, em 1525, mas a edição integral do texto original só aconteceria no final do século XVIII. O título aqui referido trata-se da versão em espanhol, a edição do IV Centenário, publicada em Madrid em 1922 com tradução e orientação de Federico Ruiz Morcuende, fiel à primeira edição em italiano, de Carlos Amoretti, a partir do manuscrito descoberto em 1797 na Biblioteca Ambrosiana de Milão.

Relato de Lorosa
.— La misma tarde, el portugués Pedro Alfonso de Lorosa vino a bordo del navío en una piragua. Supimos que el rey le envió a buscar para advertirle que, aunque él fuese de Tarenate, debía guardarse muy mucho de mentir en las respuestas a nuestras preguntas. Efectivamente, cuando vino nos dió todas las noticias que podían interesarnos. Dijo que estaba en las Indias hacia diez y seis años, diez de los cuales los pasó en las islas Malucco, adonde llegó con los primeros portugueses, que verdaderamente se habían establecido allí desde diez años antes; mas que guardaron el más profundo silencio sobre el descubrimiento de estas islas; añadió que hacía once meses y medio un gran navío vino de Malaca a las islas Malucco para cargar clavos de especia e hizo su cargamento, pero que el mal tiempo les retuvo algunos meses en Bandán. Procedía el navío de Europa, y el capitán portugués, que se llamaba Tristán de Meneses, dijo a Lorosa que la noticia más importante por entonces era que una escuadra de cinco navíos, al mando de Fernando Magallanes, había partido de Sevilla para ir a descubrir las Malucco en nombre del rey de España; y que el rey de Portugal, tanto más disgustado de la expedición, cuanto que aquél era uno de sus súbditos que buscaba su daño, envió navíos al Cabo de Buena Esperanza y al cabo de Santa María [Cabo septentrional de Rio de la Plata.], en el país de los caníbales, para interceptarle el paso en el mar de las Indias; pero que no le habían encontrado.
Supo en seguida que pasó por otro mar y que iba a las islas Malucco por el Oeste, y ordenó a D. Diego López de Sichera, su capitán en jefe en las Indias [BOISMELÉ, Histoire de la marine, dice que López de Sichera fué a las Indias en 1518.], que enviase seis navíos de guerra a Malucco contra Magallanes; mas que a Sichera llegó la nueva de que en este tiempo los turcos preparaban una flota contra Malaca, y se vió obligado a mandar sesenta barcos de guerra al estrecho de la Meca, en la tierra de Judá [Después Idda, en el mar Rojo, puerto utilizado para el comercio de le Meca. Esto se refiere a le desdichada expedición que Solimán el Magnífico emprendió, a instigación de los venecianos, contra los establecimientos de los portugueses en las Indias, para atraer al mar Rojo el comercio que la navegación de los portugueses por el Cabo de Buena Esperanza había anulado. Los venecianos les proporcionaron para ello maderas de construcción y armas. (ROBERTSON, Disquis. on ant. India, sect. III.)], los cuales encontraron las galeras turcas encalladas a la orilla del mar, cerca de la bella y fuerte ciudad de Adem, y las quemaron todas. Esta expedición impidió al capitán general portugués hacer lo que le habían encargado contra nosotros; mas poco después envió a nuestro encuentro un galeón a dos manos de bombardas [Con dos filas de cañones.], mandado por el capitán Francisco Faría, portugués; no llegó el galeón a las islas Malucco, porque, ya por los arrecifes que hay cerca de Malaca, ya por las corrientes y vientos contrarios que encontró, tuvo que volver al puerto de donde había salido. Lorosa añadió que, pocos días antes, una carabela con dos juncos habían venido a las islas Malucco para obtener noticias sobre nosotros; los juncos esperaron en Bachián para cargar clavos de especia, llevando a bordo siete portugueses, los que, a pesar de las amonestaciones del rey, no quisieron respetar ni a las mujeres de los indígenas ni a las del mismo rey, y fueron todos asesinados. Al saber esta noticia el capitán de la carabela juzgó oportuno partir a toda prisa y volverse a Malaca, abandonando en Bachián los dos juncos con cuatrocientos bahars de clavos y mercancías bastantes para cambiarlas por otros ciento.

12 de xullo de 2021

Martelo do Patriota

 


Charles Chapel
Martelo do Patriot
a (2014)

Martelo do Patriota, com o subtítulo Guia de bolso sobre contraterrorismo retórico, é um pequeno livro destinado a fornecer um arsenal argumentativo face aos chavões dos esquerdistas e liberais que dominam o discurso mediático. Assumidamente, o seu objectivo não é suportar uma discussão para esgrimir números e estatísticas. Não se trata de convencer alguém que está fechado a uma argumentação séria, mas, simplesmente, de voltar o tabuleiro sobre o adversário e dar-lhe a provar a sua própria táctica de desqualificação do oponente, ridicularizar as suas ideias, expor as suas contradições e esmagá-lo perante os assistentes.

No fundo, recuperar as ideias subjacentes da sociedade, partilhadas por uma larga maioria que tem sido intimidada e reduzida à “espiral do silêncio”, graças à apropriação do discurso mediático por um bando de extremistas, e, afastando o medo, tomar consciência da própria força, com o fim de recolocar o bom senso no lugar que lhe pertence.

2.6. Ajudando o terceiro mundo
Os brancos têm uma tendência natural de prestar ajuda aos necessitados.
Esse é um nobre e virtuoso esforço, especialmente quando se trata de alguém que está perto de nós, mas chega um ponto em que ajudar os outros se torna uma forma de traição. Ajudar o inimigo na guerra, por exemplo. Quando ajudar pessoas de fora prejudica aqueles do nosso grupo, então nossa compaixão está sendo mal-usada e se torna autodestrutiva. Além disso, algumas vezes, ajudar alguém a curto prazo o prejudicará a longo prazo. Esse é justamente o caso quando protegemos alguém das consequências de suas pobres decisões e comportamentos.
Portanto, o princípio geral quando se trata de ajudar o terceiro mundo e outras pessoas que não são de raça branca, é que isso pode ser feito contanto que não interfira nos interesses dos brancos, não desperdice recursos que poderiam ser destinados as necessidades dos brancos e quando não está simplesmente demonstrando a incompetência dos não brancos. Portanto, ajudar vítimas de vulcões e terremotos é compreensível, mas enviar toneladas e toneladas de comida, água e medicamentos para pessoas que poderiam fazer isto elas mesmas com sua terra e recursos é inaceitável.

 

25 de outubro de 2020

Viaje a la Alcarria

 

Camilo José Cela
Viaje a la Alcarria (1948)

Não sendo um livro escrito na primeira pessoa, Camilo José Cela percorreu na realidade a região de Alcarria, nas proximidades de Guadalajara, de bloco na mão, em Junho de 1946, tirando apontamentos que deram origem a Viaje a la Alcarria. No prólogo, considera-o como o livro mais simples, mais imediato e directo da sua autoria, apesar das diferentes versões que foram publicadas antes de o fixar na sua forma final.
Acompanhando os passos de um madrileno não identificado, referido apenas como “o viajante”, Viaje a la Alcarria é um livro de esboços rápidos de lugares e personagens, de cenas fugazes que o protagonista vai vivendo ao longo de alguns dias, encontros e reencontros com outros viajantes que, por diferentes motivos, seguem um percurso similar.

El autobús va hasta los topes y al viajero le hacen un hueco en la última Ría de asientos, entre unos gitanos. En la Alcarria, el viajero se encontró gitanos por todas partes, gitanos que viven en paz y buena armonía con los payos, gitanos trabajadores y buenos artesanos —chumajarós que ponen bien la suela de los zapatos, petalarós que cantan martinetes en la fragua, cascaroberós que fabrican los más relucientes calderos, bajirinanós que construyen livianas y resistentes cestas—, gitanos sedentarios que se inscriben en el registro civil, van a las quintas y viajan en coche de línea, gitanos que lo único que no hacen es casarse fuera de su raza.
El viajero, al intentar acomodarse, pisa sin querer a una gitana jovencilla, muy guapa. La mujer da un grito.
—¡Mal puñetaso te pegue un inglés borracho, esaborío!
Cuando el autobús echa a andar, la gente se va acoplando. El acoplamiento es, a veces, doloroso.
—¡Que me aplasta usted a la criatura!
El hombre, haciendo equilibrios, responde sin mirar; aunque quisiera, no podría volver la cabeza.
—Échela usted en la baca, señora, y cállese.
—Tendremos que esperar a agosto, que por ahora lo llevo dentro.
No más salir del pueblo, unas criadas empiezan a alborotar: ya irán así todo el camino. Antes de llegar al Tajo, una señora gorda dice perdone, y les vomita por encima a un guardia civil, a su señora y a un niño de pecho que llevaba al brazo. El niño iba dormidito, pero, como es natural, se despierta y empieza a gritar; el niño grita como si lo estuvieran matando; la cosa, como dice muy bien un joven de corbata de lazo y flexible verde claro, no era para tanto.


Li anteriormente:
La Colmena (1951)
A Família de Pascoal Duarte (1
942)


11 de xullo de 2020

Encubrimiento y usurpación de América



Luis E. Ninamango Jurado
Encubrimiento y usurpación de América (2009)

Uma edição patrocinada pelo Ministério do Poder Popular do Gabinete da Presidência, na República Bolivariana da Venezuela, à data liderada por Hugo Chávez, é o suficiente para deixar qualquer um de pé atrás. Este primeiro livro publicado pelo historiador peruano Luis Erasmo Ninamango Jurado, disponível no archive.org, é, sem dúvida um exercício de história revisionista, pontuado aqui e ali por frases tronantes que o autor não se preocupa demasiadamente em fundamentar.
Uma das principais peças de argumentação é o mapamundi de Juan de la Cosa, desenhado pelo navegador espanhol em 1500, que representa com algum rigor a costa africana e a do sudoeste asiático; também estão já assinaladas as ilhas das Caraíbas, bem como a costa oriental do continente americano, com uma aproximação surpreendente na zona compreendida entre a costa da Colômbia e as Guianas. Este mapa, depositado no Museu Naval de Espanha, em Madrid, já havia despertado a atenção de Alexander von Humboldt em 1832, pela sua peculiaridade. Luis Ninamango conclui que Juan de la Cosa terá, no mínimo, copiado o mapa de outro documento mais antigo, originário do Oriente (os desenhos que o ilustram têm, sem dúvida, uma expressão oriental), tanto mais que, em 1500, Colombo fazia a sua terceira viagem à América e ainda não se tinha apercebido que as suas descobertas se situavam exclusivamente de território insular. O mesmo não acontecia com Juan de la Cosa, acompanhante de Colombo nas duas primeiras viagens ao Novo Mundo que, por esta altura, com Américo Vespúcio e Alonso de Ojeda, era um dos responsáveis pelo reconhecimento das costas da Colômbia, Venezuela e Guiana, e parte das Antilhas. Vespúcio, segundo o autor, terá mesmo descido pela costa do Brasil até, pelo menos, Pernambuco.
Depois, a forma como Portugal e Espanha acordaram as suas zonas de influência, sob o patrocínio do Vaticano, primeiro no Tratado de Alcáçovas (1479) e depois no Tratado de Tordesilhas (1494) provará que portugueses e castelhanos tinham já nessas datas uma ideia muito aproximada do que havia a “descobrir”, mormente quando o meridiano de Tordesilhas é deslocado 470 léguas para Ocidente, para permitir a inclusão de parte do Brasil no hemisfério português.
As teorias especulativas de Luis Ninamango afirmam em consequência que a Europa Medieval e Renascentista se apropriou do conhecimento oriental da navegação, ocultando a sua origem e utilizando-o em proveito próprio. Afirmam também que Portugal, tendo expulsado os mouros do seu território quase 250 anos antes de Espanha ter feito o mesmo, aproveitou esta vantagem para se antecipar nas suas incursões a África e à América, aproveitando mapas, rotas comerciais, minas, etc. que pertenciam aos árabes; por fim fala da devastação causada nas milenárias culturas americanas. Desta suposta destruição, encobrimento e usurpação de valores culturais alheios sem reconhecer a sua autoria, considera-o o pior delito de lesa-cultura perpetrado na história da humanidade.
Se algumas destas premissas têm alguma plausibilidade — recorde-se, por exemplo que a China tinha, nos séculos XIV e inícios de XV, meios técnicos de navegação superiores aos europeus, e estava em plena expansão no Índico quando os imperadores Ming decidiram acabar com a frota e fechar o império ao exterior —, parece no entanto pouco provável que portugueses e castelhanos tenham explorado secretamente o Atlântico durante tanto tempo (oito décadas antes dos Descobrimentos “oficiais”, como o autor sugere), muito menos que se tenham aproveitado de rotas árabes pré-existentes e que tenham encontrado (e combatido) os mouros estabelecidos no continente americano. Quanto à “devastação”, tema que não é sequer aprofundado neste livro, é mais uma variação da Lenda Negra, que persegue sobretudo os espanhóis desde o Descobrimento, com pouca fundamentação histórica e muita manipulação dos factos pelos seus inimigos tradicionais — ingleses, holandeses e franceses — para desviar a atenção dos seus próprios actos. A forma como os reinos ibéricos e o papado forjaram esta “partilha do mundo”, é alvo de particular animosidade pelo autor, que assenta a sua crítica sobretudo em Fernando II de Aragão, “el rey truhán”, e em Alexandre VI, o “papa-súbdito-aragonês”, como constantemente nos recorda, para no fim jogar a inevitável cartada indigenista e culpabilizar os europeus por tudo quanto de mal se passa actualmente na América hispânica — como se esses países não fossem independentes e responsáveis pelos seus destinos há 200 anos. Propõe ainda que Espanha, Portugal, Itália e o Vaticano reescrevam a História à luz dos novos preconceitos, num exercício de auto-flagelação que os leve a renegar o seu passado.

Dada esta situación, los monarcas envían a continuación, primero al capitán Rodrigo de Bastidas, apoyado por Juan de la Cosa, a recorrer las costas más occidentales de Venezuela y a “descubrir” las de Colombia desde el Cabo de la Vela en la península de la Guajira hasta el golfo de Urabá en la frontera con Panamá; y seguidamente después de la partida de Bastidas (octubre de 1500), por la misma ruta, a Alonso de Ojeda con Américo Vespucio. Con el último tramo mencionado, Vespucio completó su reconocimiento de las costas suramericanas desde el Cabo de San Agustín o de Santa María de la Consolación (8° de latitud Sur), Pernambuco, Brasil, hasta el golfo de Urabá en la frontera oriental de Panamá. Recordemos que en su polémico primer viaje el florentino recorrió casi toda la costa caribeña de Centroamérica y parte de las de Norteamérica.
Así las cosas, “inesperadamente”, Américo Vespucio había sido “llamado” por el rey Manuel I de Portugal (el Afortunado, en ese entonces yerno de los Reyes Católicos por segunda vez) para ayudar a “descubrir” en las costas suramericanas orientales del Atlántico Sur. Este viaje fue narrado por Vespucio en una carta que le dirigió a Lorenzo di Pier Francesco de Medici en mayo de 1503, publicada en París en 1503 o 1504, con el título Mundus Novus; y en otra dirigida a Piero Soderini el 4 de septiembre de 1504, que presenta discrepancias con la escrita el año anterior.
Parte de Lisboa el 10 de mayo de 1501 en una expedición de tres carabelas. Entre mayo y junio ocurre un conveniente encuentro con Pedro Álvares Cabral en Cabo Verde (Dakar), en la costa occidental de África. El capitán portugués estaba regresando de la India (Calicut), después de haber “descubierto” Brasil, “accidentalmente”, en el viaje de ida a la India (Calicut).
Después de una larga travesía que duró más de dos meses, la flota lusitana en la cual participa Vespucio arriba a la costa brasileña el 7 de agosto de 1501. A continuación navegan al Cabo de San Roque (16 de octubre) y al Cabo de San Agustín (28 de octubre), desde donde, la costa cambia de dirección, dirigiéndose al sudoeste; es decir, hacia jurisdicción española según el Tratado de Tordesillas. Siguiendo la costa, el 15 de febrero de 1502 ¡los portugueses le ceden el mando de la flota a Vespucio! Y, según la misma carta Mundus Novus, el florentino Vespucio, italiano al mando de una flota portuguesa, pero en representación de los intereses españoles, llegó la primera semana de abril de 1502 hasta los 50° de latitud Sur en la actual Patagonia argentina, muy cerca de la entrada al estrecho que en 1520 atravesaría el navegante portugués Fernando de Magallanes, también al servicio de España. Pero, posteriormente, en la carta que le dirigió a su amigo de la juventud Piero Soderini el 4 de septiembre de 1504, Vespucio se retracta: escribió que solamente había llegadó hasta los 32° de latitud Sur.
El 10 de mayo de 1502 llegan a Sierra Leona, en la costa occidental de África; y a las Azores a fines de julio, para finalmente retornar a Lisboa, con dos naves, el 7 de septiembre de 1502. Después de viaje tan interesante, Américo –seguramente satisfecho por sus recientes logros–, le envió una carta a Lorenzo di Pier Francesco de Médici en mayo de 1503, la cual fue publicada con premura en Paris, en 1503 o 1504, con el título Mundus Novus.
Quinto viaje de Vespucio a América, segundo bajo bandera lusitana. Sale de Lisboa el 10 de mayo de 1503. Parten seis naves, de las cuales cuatro están repletas de “cristianos nuevos”, adinerados, que habían hecho un trato con el rey Manuel I de Portugal. Primero se dirigen a la costa de Sierra Leona en el occidente de África, y desde allí, Américo cruza el Atlántico con solamente dos naves, arribando a la bahía de Todos los Santos (Salvador de Bahía), en la costa de Brasil. De esta manera, Américo tiene el deshonor de inaugurar “oficialmente” la ruta directa entre África y Salvador de Bahía, que ya había sido tantas veces transitada por los árabes durante casi ocho siglos, y por los portugueses más de ocho décadas.