26 de decembro de 2022
O Esoterismo de Dante
René Guénon
O Esoterismo de Dante (1925)
Trata-se de uma análise assumidamente abreviada ao significado simbólico e numérico que estrutura a Divina Comédia, a obra maior do escritor medieval Dante Alighieri. É uma abordagem seguida por vários analistas da obra, ao longo do tempo, que foram interpretando e desvelando um sentido oculto, em perspectivas por vezes complementares, outras vezes contraditórias. A existência da possibilidade dessa leitura paralela é inegável, pois foi o próprio Dante quem a afirmou.
Assim, que a «Divina Comédia», no seu conjunto, se possa interpretar em diversos sentidos, é qualquer coisa que não oferece margem para dúvidas, visto que possuímos a esse respeito o próprio testemunho do seu autor, seguramente melhor qualificado do que qualquer outro para nos informar acerca das suas próprias intenções. A dificuldade começa apenas, quando se trata de determinar esses diferentes significados, sobretudo os mais elevados ou os mala profundos, e é também aí que começam, naturalmente, as divergências de pontos de vista entre os comentadores. Estes estão geralmente de acordo em reconhecer, sob o sentido literal do relato poético, um sentido filosófico, ou melhor, filosófico-teológico, e também um sentido político e social; mas esses, juntamente com o sentido literal, somam três e Dante adverte-nos para procurarmos quatro; qual é, então, o quarto sentido? Para nós, só pode ser um sentido propriamente iniciático, metafísico na sua essência, e ao qual se ligam múltiplos dados que, sem serem todos de ordem puramente metafísica, apresentam um carácter igualmente esotérico. É precisamente em virtude desse carácter que este sentido escapou completamente à maior parte dos comentadores: e, no entanto, se o ignorarmos ou se o desconhecermos, os outros sentidos só podem ser colhidos parcialmente, porque ele é como que o princípio deles, no qual se coordena e se unifica a sua multiplicidade.
Li anteriormente:
El Reino de la Cantidad y los Signos de los Tiempos (1945)
La Crisis del Mundo Moderno (1927)
El Rey del Mundo (1927)
26 de setembro de 2022
De Benguela às Terras de Iaca
Hermenegildo Capelo & Roberto Ivens
De Benguela às Terras de Iaca (1881)
De Benguella ás Terras de Iácca é o relato da primeira expedição de Capelo e Ivens em território angolano. Desde os preparativos em Luanda ao verdadeiro início em Benguela, de onde saíram a 12 de Novembro de 1877, rumando ao Bié pelo trilho do Sul via Caconda. Belmonte, no Bié, era um dos principais entrepostos comerciais onde chegavam as mercadorias dos sertões distantes, e por tal motivo, ponto de partida das expedições que exploraram e mapearam o interior desconhecido. O percurso seguiu para nordeste, para a bacia do Cuango. Nas cercanias de Cassange foram impedidos, pelos Bangalas, de passar para a margem direita do rio, pelo que a expedição seguiu para Oeste e para Norte, por Malange e Duque de Bragança, até voltar a encontrar a margem esquerda do Cuango, num território habitado pelos ma-iácca – ou seja, as terras de Iaca – que lhes afirmaram ser a primeira vez que homens brancos por lá apareciam. Na impossibilidade de prosseguir para Norte, por doença, falta de recursos e de guia, inverteram a marcha e regressaram a Duque de Bragança, por um trajecto a oeste do anteriormente utilizado. Na paragem neste local sofreram um incêndio no acampamento do qual resultaram perdas de vulto, em bens, instrumentos de medição e registos de viagem. A expedição seguiu depois para Ambaca e Pungo N’dongo, na margem do Cuanza, em territórios já bem conhecidos e cartografados, e, por fim, rumo a oeste até ao Dondo, onde deram por terminada a missão, a 21 de Setembro de 1879. Embarcaram a 11 de Outubro num vapor e, descendo o rio, chegaram a Luanda (uma cidade que contava então pouco mais de 13 mil habitantes, incluindo os subúrbios) no dia 13, 729 dias depois da saída dessa cidade.
As dificuldades apresentadas não são muito diferentes das já relatadas em livros que versam o mesmo tema: o clima, os insectos, as febres (“o menor dos sofrimentos”), o próprio escorbuto, e até, por vezes, a hostilidade dos nativos.
Preparavamo-nos para fazer uma serie de observações magneticas no interesse da sciencia (que tanto exige hoje do viajante), quando a chuva nos demoveu do proposito, deixando sem muita pena esse cuidado a futuros exploradores que por ali transitem e a quem desejamos melhor tempo.
Surprehendidos por uma medonha trovoada, seguida de chuva diluvial, conservámo-nos acampados, com grande satisfação dos nossos, que, em meio de uma nuvem de espesso fumo, enchendo completamente os fundos, passavam de bôca em bôca o cachimbo carregado de tabaco, muito abundante nas terras dos Bondos; substituindo-lhes pouco depois a mu-topa, em que se consome a fatal liamba (Cannabis sativa).
Os fumantes sentam-se em derredor de um amplo brazeiro, d’onde tiram com pequenas tenazes os carvões para começar a operação.
O primeiro que a conduz aos lábios, depois de ter quatro ou cinco vezes aspirado o precioso fumo, estendendo os beiços e chupando sôfrego, desata n’um vivo accesso de tosse, o qual parece tanto mais satisfactorio quanto mais proximo esteve da suffocação.
O cachimbo é logo entregue ao immediato, que continua o processo e fica estatelado, roncando de modo singular.
A agua dentro do chifre borbulha, deixando passar as bolhas de fumo, que produzem ruido especial.
Em breve um vacarme de urros nada permitte ouvir-se.
Os circumstantes, com a bôca cheia de saliva, que expellem a miudo, proseguem na faina, rindo, fallando, excitados pela acção perturbadora do canhamo.
Inspira na verdade dó ver similhante scena.
Mas como impedil-a, se para elles é isto um dos maiores deleites em que podem empregar o tempo?
Ao principio intentámol-o mas infructifero esforço, porque, fugindo para o mato, faziam-no clandestinamente!
Li anteriormente:
De Angola à Contracosta (1886)
14 de agosto de 2022
A Través del Islam
Ibn Batutta
A Través del Islam (1356 / 2017)
O mapa das viagens de Ibn Batutta, por três continentes, é impressionante. Nascido em Tanger em 1304, a sua primeira viagem foi a Meca, cumprindo um dos preceitos do islamismo. No entanto não fez a viagem de regresso, e prosseguiu para o Médio Oriente, Ásia Menor, Costa Oriental Africana, Índia, Indonesia e China, regressando ao Magrebe ao final de 24 anos. Após esse curto descanso, foi ao reino do Al-Andalus na Península Ibérica e voltou a África, descendo a Timbuktu e dando uma larga volta por Agadez no regresso. No total, as suas viagens decorreram entre 1325 e 1354, tendo depois ditado de memória o registo conhecido como “Rihla” (nome genérico que na cultura árabe designa os relatos de viagens).
O seu relato era praticamente desconhecido no Ocidente até ao séc XIX, quando foi objecto de traduções em francês e inglês. Em 1929 o historiador inglês Hamilton Gibb publicou alguns excertos baseados em traduções anteriores, nomeadamente dos franceses Defrémery e Sanguinetti, mas já se tinha abalançado ao trabalho de fazer a sua própria tradução anotada. A obra teria 4 volumes, e o primeiro só seria publicado em 1958. Gibb morreu em 1971, com 3 volumes publicados (o quarto seria editado sob direcção de Charles Beckingham, em 1994).
A presente edição, com tradução de Serafín Fanjul e Federico Arbós, é a primeira em língua espanhola e assenta sobretudo no trabalho de Gibb, que se tornou um referência. A factualidade e a historicidade de muitas passagens do livro são colocadas em causa por alguns estudiosos, que também têm dúvidas se alguns dos relatos serão realmente experiências vividas pelo autor. Para o prazer da leitura isso é irrelevante (como o era nos relatos do seu contemporâneo Marco Polo).
El quemar a la esposa, tras la muerte del marido es, entre los hindúes, bien visto pero no forzoso. Si una viuda se incinera su familia gana fama y se les honra por su lealtad. Aquella que no se somete a las llamas se viste con ropas burdas y reside en casa de sus padres como signo de indignidad y bajeza por su incumplimiento, pero en ningún caso es obligada a quemarse.
Así, pues, cuando las tres mujeres que hemos mencionado consintieron en ser incineradas, pasaron tres días dedicadas a cantos, músicas, comidas y bebida como si se estuvieran despidiendo de este mundo. Otras mujeres venían a verlas de todos los rumbos. En la mañana del cuarto día trajeron a cada una un caballo sobre el que montaron engalanadas y perfumadas. En la diestra llevaban una nuez de coco con la que jugaban y con la izquierda sostenían un espejo en el que se contemplaban. Los brahmanes las rodeaban y también sus allegados. Delante iban atabales, albogues y añafiles. Los infieles les encargaban: «Transmitid mis saludos a mi padre, o a mi hermano, o a mi madre, o a mi amigo». A lo cual ellas decían sonriendo: «De acuerdo».
Monté a caballo con mis compañeros para ver su comportamiento durante la cremación. Anduvimos unas tres millas y llegamos a un lugar umbrío, muy arbolado y con agua, en una espesa fraga. Entre los árboles se alzaban cuatro templetes, en cada uno de los cuales había un ídolo de piedra. Entre las cúpulas había una alberca encima de la cual la sombra era tan densa y los árboles tan tupidos que el sol no podía penetrar entre ellos. Se diría que este lugar era el mismo infierno. ¡Que Dios nos guarde!
Al llegar ante aquellas cúpulas, las tres descabalgaron cerca del estanque, se zambulleron en él, se despojaron de las ropas y joyas que llevaban y las ofrecieron como limosna. Se les dio entonces una tela basta de algodón inconsútil con la que se cubrieron la cintura, la cabeza y los hombros. Mientras tanto se habían encendido las hogueras cerca del zafareche, en una depresión del terreno, y se había vertido sobre ellas aceite de kunŷud —es decir sésamo— que aviva las llamas. Unos quince hombres sostenían haces de leña y otros diez llevaban grandes tablones. Los músicos permanecían de pie esperando la llegada de las mujeres. El fuego estaba tapado con una manta que sujetaban los hombres para que su vista no las espantara. Vi cómo una de ellas en llegando a la manta la arrebató de manos de quienes la sujetaban y les dijo en persa, sonriendo: «¿Es que creéis que voy a asustarme con el fuego? Sé que es fuego ardiente». Después juntó las manos por encima de la cabeza, como reverenciando al fuego, y se arrojó en él. Momento en que resonaron los atabales, añafiles y albogues y los hombres echaron sobre ella la leña que sostenían en las manos. Otros le pusieron encima los tablones por que no se moviese. Las voces subieron y aumentó la barahúnda. Al verlo, casi caigo del caballo, de no ser por mis compañeros que trajeron agua con la que me rociaron la cara y pude recuperarme.
6 de abril de 2022
Pan
Knut Hamsun
Pan (1894)
Pan é uma das primeiras novelas de Knut Hamsun e considerada entre as mais importantes do escritor norueguês. Nela se exalta a natureza, os animais (Esopo, o cão do tenente Glahn, é co-protagonista) e o amor.
O tenente Tomás Glahn, um caçador e antigo soldado, vive sozinho numa cabana, no bosque, com o seu cão. Um dia conhece Eduarda, a filha de um comerciante da povoação de Sirilund. Apesar da forte atracção mútua, nenhum deles compreende o amor do outro. Glahn acaba por se apaixonar por Eva, que imaginava ser a filha do ferreiro vindo a descobrir depois que era a sua mulher, enquanto Eduarda acaba por ceder a Mack, um barão finlandês de passagem por Sirilund. Devido a uma série de tragédias e pela pressão social, Glahn decide partir.
O desenlace final do livro é passado na Índia e narrado a partir da perspectiva de outra pessoa. Reencontramos Glahn acompanhado de outro caçador, que se apercebe das suas tormentas interiores sem conhecer as razões. Este epílogo intitula-se “A morte de Glahn”.
Conocí a un viejo lapón, ciego desde hacía cincuenta años, que a los setenta imaginábase poder ver un poquito mejor cada día. Los progresos resultaban lentos, lentísimos; pero de no interrumpirse —decía él—, «dentro de seis o siete años podré entrever el sol». Sus cabellos eran negros como los de un joven, y en cambio, sus ojos eran blancos; fumábamos muchas veces juntos, y me decía que de niño había visto perfectamente… Era fuerte, tenaz en la esperanza. Cuando me iba me acompañaba algún trecho, y deteniéndose de vez en cuando, me decía: «Allí está el Sur; allá el Norte; seguirás esa dirección unos trescientos pasos y luego torcerás a la derecha, ¿no es así?». «Así es», decíale yo, y él sonreía entonces satisfecho, asegurándome que la prueba de que veía mejor era que cincuenta años antes no me habría podido indicar la dirección tan exactamente. Luego casi a cuatro patas, se metía en su cabañuela y, sentado junto al fuego, dedicábase a acariciar el anhelo de recobrar la vista… Ya ves… La esperanza es cosa curiosa.
17 de decembro de 2021
El Reino de la Cantidad y los Signos de los Tiempos
René Guénon
El Reino de la
Cantidad y los Signos de los Tiempos (1945)
O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos é, segundo o prefácio do autor, uma continuação de A Crise do Mundo Moderno, numa perspectiva mais “doutrinal”. É, deste modo, um ensaio que parte de pressupostos pouco habituais na filosofia contemporânea, com um discurso em choque frontal relativamente às tendências dominantes. Um leitor ocasional não conseguirá, provavelmente, ultrapassar as primeiras páginas; ou sentir-se como um cego de nascença, a quem falam sobre a cor azul. É, porém, um livro que encontrará os leitores certos; para esses, O Reino da Quantidade é de leitura obrigatória.
Así pues, la mentalidad moderna está hecha de tal modo que no puede sufrir ningún secreto y ni siquiera ninguna reserva; tales cosas, puesto que ignora sus razones, no se le aparecen más que como «privilegios» establecidos en provecho de algunos, y no puede sufrir tampoco ninguna superioridad; si se quisiera emprender explicarle que éstos supuestos «privilegios» tienen en realidad su fundamento en la naturaleza misma de los seres, sería trabajo perdido, ya que eso es precisamente lo que niega obstinadamente su «igualitarismo». No solo se jacta, muy equivocadamente por lo demás, de suprimir todo «misterio» con su ciencia y su filosofía exclusivamente «racionales» y puestas «al alcance de todo el mundo», sino que este horror del «misterio» llega tan lejos, en todos los dominios, que se extiende incluso hasta lo que se ha convenido llamar la «vida ordinaria». No obstante, un mundo donde todo hubiera devenido «público» tendría un carácter propiamente monstruoso; decimos «hubiera», ya que, de hecho, todavía no estamos completamente en eso a pesar de todo, y quizás eso no será nunca completamente realizable, ya que, también aquí, se trata de un «límite»; pero es incontestable que, por todos los lados, se apunta actualmente a obtener tal resultado, y, a este respecto, se puede destacar que el número de los adversarios aparentes de la «democracia» no hace en suma más que llevar todavía más lejos sus consecuencias si es posible, porque, en el fondo, están tan penetrados por el espíritu moderno como esos mismos a quienes quieren oponerse. Para llevar a los hombres a vivir enteramente «en público» ya no se contentan con juntarlos en «masa» en toda ocasión y bajo no importa cuál pretexto; también se les quiere alojar, no solo en «colmenas» como lo decíamos precedentemente, sino literalmente en «colmenas de cristal», dispuestas por lo demás de tal manera que no les será posible tomar en ellas sus comidas como no sea «en común»; los hombres que son capaces de someterse a una tal existencia han caído verdaderamente en un nivel «infrahumano», en el nivel, si se quiere, de insectos tales como las abejas y las hormigas; y, por lo demás, también se esfuerzan por todos los medios en «adiestrarlos» para no ser más diferentes entre ellos que los individuos de esas especies animales, si no incluso menos todavía.
Como no tenemos de ninguna manera la intención de entrar en el detalle de ciertas «anticipaciones» que serían quizás muy fáciles e incluso rebasadas muy rápidamente por los acontecimientos, no nos extenderemos más sobre este tema, y nos basta, en suma, haber destacado, con el estado al que las cosas han llegado al presente, la tendencia que no pueden dejar de continuar siguiendo, al menos durante un cierto tiempo todavía. El odio del secreto, en el fondo, no es otra cosa que una de las formas del odio por todo lo que rebasa el nivel «medio», y también por todo lo que se aparta de la uniformidad que se quiere imponer a todos; y no obstante, en el mundo moderno mismo, hay un secreto que está mejor guardado que cualquier otro: es el de la formidable empresa de sugestión que ha producido y que mantiene la mentalidad actual, y que la ha constituido y, se podría decir, «fabricado» de tal manera que no puede más que negar su existencia e incluso su posibilidad, lo que, ciertamente, es el mejor medio, y un medio de una habilidad verdaderamente «diabólica», para que este secreto nunca pueda ser descubierto.
Li anteriormente:
La Crisis del Mundo Moderno (1927)El Rey del Mundo (1927)
14 de agosto de 2021
Primer Viaje em Torno del Globo
Antonio Pigafetta
Primer Viaje em Torno del Globo (1525 / 1800)
Antonio Pigafetta, nascido em Vicenza, foi o cronista da expedição capitaneada por Fernão de Magalhães em 1519, a primeira circum-navegação ao globo terrestre, concluída por Juan Sebastián Del Cano após a morte do navegador português. Pigafetta estava ocasionalmente em Espanha, acompanhando uma embaixada romana junto de Carlos V, e, ao saber que se preparava a expedição, conseguiu autorização para a acompanhar, custeando a viagem do seu próprio bolso. Foi um dos dezoito homens que conseguiu regressar a Espanha, em 1522, entre os 237 que tinham partido inicialmente. O seu relato, A Primeira Viagem ao Redor do Mundo, é a principal fonte de informação sobre a viagem.
Como é evidente, Magalhães não partiu em nenhuma expedição oceanográfica; o seu objectivo era chegar à Ilhas Molucas, as ilhas da especiarias, pela rota ocidental. A localização deste arquipélago era vagamente conhecida, e havia razões para acreditar que se encontrava no semi-hemisfério que pertencia a Espanha, de acordo com o Tratado de Tordesilhas.
Regressado a Itália, Pigafetta publicou o seu diário em Paris, em 1525, mas a edição integral do texto original só aconteceria no final do século XVIII. O título aqui referido trata-se da versão em espanhol, a edição do IV Centenário, publicada em Madrid em 1922 com tradução e orientação de Federico Ruiz Morcuende, fiel à primeira edição em italiano, de Carlos Amoretti, a partir do manuscrito descoberto em 1797 na Biblioteca Ambrosiana de Milão.
Relato de Lorosa.— La misma tarde, el portugués Pedro Alfonso de Lorosa vino a bordo del navío en una piragua. Supimos que el rey le envió a buscar para advertirle que, aunque él fuese de Tarenate, debía guardarse muy mucho de mentir en las respuestas a nuestras preguntas. Efectivamente, cuando vino nos dió todas las noticias que podían interesarnos. Dijo que estaba en las Indias hacia diez y seis años, diez de los cuales los pasó en las islas Malucco, adonde llegó con los primeros portugueses, que verdaderamente se habían establecido allí desde diez años antes; mas que guardaron el más profundo silencio sobre el descubrimiento de estas islas; añadió que hacía once meses y medio un gran navío vino de Malaca a las islas Malucco para cargar clavos de especia e hizo su cargamento, pero que el mal tiempo les retuvo algunos meses en Bandán. Procedía el navío de Europa, y el capitán portugués, que se llamaba Tristán de Meneses, dijo a Lorosa que la noticia más importante por entonces era que una escuadra de cinco navíos, al mando de Fernando Magallanes, había partido de Sevilla para ir a descubrir las Malucco en nombre del rey de España; y que el rey de Portugal, tanto más disgustado de la expedición, cuanto que aquél era uno de sus súbditos que buscaba su daño, envió navíos al Cabo de Buena Esperanza y al cabo de Santa María [Cabo septentrional de Rio de la Plata.], en el país de los caníbales, para interceptarle el paso en el mar de las Indias; pero que no le habían encontrado.
Supo en seguida que pasó por otro mar y que iba a las islas Malucco por el Oeste, y ordenó a D. Diego López de Sichera, su capitán en jefe en las Indias [BOISMELÉ, Histoire de la marine, dice que López de Sichera fué a las Indias en 1518.], que enviase seis navíos de guerra a Malucco contra Magallanes; mas que a Sichera llegó la nueva de que en este tiempo los turcos preparaban una flota contra Malaca, y se vió obligado a mandar sesenta barcos de guerra al estrecho de la Meca, en la tierra de Judá [Después Idda, en el mar Rojo, puerto utilizado para el comercio de le Meca. Esto se refiere a le desdichada expedición que Solimán el Magnífico emprendió, a instigación de los venecianos, contra los establecimientos de los portugueses en las Indias, para atraer al mar Rojo el comercio que la navegación de los portugueses por el Cabo de Buena Esperanza había anulado. Los venecianos les proporcionaron para ello maderas de construcción y armas. (ROBERTSON, Disquis. on ant. India, sect. III.)], los cuales encontraron las galeras turcas encalladas a la orilla del mar, cerca de la bella y fuerte ciudad de Adem, y las quemaron todas. Esta expedición impidió al capitán general portugués hacer lo que le habían encargado contra nosotros; mas poco después envió a nuestro encuentro un galeón a dos manos de bombardas [Con dos filas de cañones.], mandado por el capitán Francisco Faría, portugués; no llegó el galeón a las islas Malucco, porque, ya por los arrecifes que hay cerca de Malaca, ya por las corrientes y vientos contrarios que encontró, tuvo que volver al puerto de donde había salido. Lorosa añadió que, pocos días antes, una carabela con dos juncos habían venido a las islas Malucco para obtener noticias sobre nosotros; los juncos esperaron en Bachián para cargar clavos de especia, llevando a bordo siete portugueses, los que, a pesar de las amonestaciones del rey, no quisieron respetar ni a las mujeres de los indígenas ni a las del mismo rey, y fueron todos asesinados. Al saber esta noticia el capitán de la carabela juzgó oportuno partir a toda prisa y volverse a Malaca, abandonando en Bachián los dos juncos con cuatrocientos bahars de clavos y mercancías bastantes para cambiarlas por otros ciento.
12 de xullo de 2021
Martelo do Patriota
Charles Chapel
Martelo do Patriota (2014)
Martelo do Patriota, com o subtítulo Guia de bolso sobre contraterrorismo retórico, é um pequeno livro destinado a fornecer um arsenal argumentativo face aos chavões dos esquerdistas e liberais que dominam o discurso mediático. Assumidamente, o seu objectivo não é suportar uma discussão para esgrimir números e estatísticas. Não se trata de convencer alguém que está fechado a uma argumentação séria, mas, simplesmente, de voltar o tabuleiro sobre o adversário e dar-lhe a provar a sua própria táctica de desqualificação do oponente, ridicularizar as suas ideias, expor as suas contradições e esmagá-lo perante os assistentes.
No fundo, recuperar as ideias subjacentes da sociedade, partilhadas por uma larga maioria que tem sido intimidada e reduzida à “espiral do silêncio”, graças à apropriação do discurso mediático por um bando de extremistas, e, afastando o medo, tomar consciência da própria força, com o fim de recolocar o bom senso no lugar que lhe pertence.2.6. Ajudando o terceiro mundo
Os brancos têm uma tendência natural
de prestar ajuda aos necessitados.
Esse é um nobre e virtuoso esforço,
especialmente quando se trata de alguém que está perto de nós, mas
chega um ponto em que ajudar os outros se torna uma forma de traição.
Ajudar o inimigo na guerra, por exemplo. Quando ajudar pessoas de
fora prejudica aqueles do nosso grupo, então nossa compaixão está
sendo mal-usada e se torna autodestrutiva. Além disso, algumas
vezes, ajudar alguém a curto prazo o prejudicará a longo prazo.
Esse é justamente o caso quando protegemos alguém das consequências
de suas pobres decisões e comportamentos.
Portanto, o princípio geral quando se
trata de ajudar o terceiro mundo e outras pessoas que não são de
raça branca, é que isso pode ser feito contanto que não interfira
nos interesses dos brancos, não desperdice recursos que poderiam ser
destinados as necessidades dos brancos e quando não está
simplesmente demonstrando a incompetência dos não brancos.
Portanto, ajudar vítimas de vulcões e terremotos é compreensível,
mas enviar toneladas e toneladas de comida, água e medicamentos para
pessoas que poderiam fazer isto elas mesmas com sua terra e recursos
é inaceitável.
25 de outubro de 2020
Viaje a la Alcarria
Camilo José Cela
Viaje a la Alcarria
(1948)
Não sendo um livro escrito na primeira
pessoa, Camilo José Cela percorreu na realidade a região de
Alcarria, nas proximidades de Guadalajara, de bloco na mão, em Junho
de 1946, tirando apontamentos que deram origem a Viaje a la
Alcarria. No prólogo, considera-o como o livro mais simples,
mais imediato e directo da sua autoria, apesar das diferentes versões
que foram publicadas antes de o fixar na sua forma final.
Acompanhando os passos de um madrileno
não identificado, referido apenas como “o viajante”, Viaje a
la Alcarria é um livro de esboços rápidos de lugares e
personagens, de cenas fugazes que o protagonista vai vivendo ao longo
de alguns dias, encontros e reencontros com outros viajantes que, por
diferentes motivos, seguem um percurso similar.
El autobús va hasta los
topes y al viajero le hacen un hueco en la última Ría de asientos,
entre unos gitanos. En la Alcarria, el viajero se encontró gitanos
por todas partes, gitanos que viven en paz y buena armonía con los
payos, gitanos trabajadores y buenos artesanos —chumajarós que
ponen bien la suela de los zapatos, petalarós que cantan martinetes
en la fragua, cascaroberós que fabrican los más relucientes
calderos, bajirinanós que construyen livianas y resistentes cestas—,
gitanos sedentarios que se inscriben en el registro civil, van a las
quintas y viajan en coche de línea, gitanos que lo único que no
hacen es casarse fuera de su raza.
El viajero, al intentar
acomodarse, pisa sin querer a una gitana jovencilla, muy guapa. La
mujer da un grito.
—¡Mal puñetaso te
pegue un inglés borracho, esaborío!
Cuando el autobús echa a
andar, la gente se va acoplando. El acoplamiento es, a veces,
doloroso.
—¡Que me aplasta usted
a la criatura!
El hombre, haciendo
equilibrios, responde sin mirar; aunque quisiera, no podría volver
la cabeza.
—Échela usted en la
baca, señora, y cállese.
—Tendremos que esperar a
agosto, que por ahora lo llevo dentro.
No más salir del pueblo,
unas criadas empiezan a alborotar: ya irán así todo el camino.
Antes de llegar al Tajo, una señora gorda dice perdone, y les vomita
por encima a un guardia civil, a su señora y a un niño de pecho que
llevaba al brazo. El niño iba dormidito, pero, como es natural, se
despierta y empieza a gritar; el niño grita como si lo estuvieran
matando; la cosa, como dice muy bien un joven de corbata de lazo y
flexible verde claro, no era para tanto.
Li
anteriormente:
La Colmena (1951)
A Família de
Pascoal Duarte (1942)
11 de xullo de 2020
Encubrimiento y usurpación de América
10 de xuño de 2020
Resurrección
13 de maio de 2020
Cruzada contra el Grial
9 de maio de 2020
Siete años en el Tíbet
2 de maio de 2020
Nossa Senhora de Paris
22 de abril de 2020
Wilt in Nowhere
Tom Sharpe













