27 de marzo de 2024
R is for Rocket
Ray Bradbury
R is for Rocket (1962)
A bibliografia de Ray Bradbury é composta essencialmente de contos, pequenos textos publicados um pouco por todo o lado, em número superior a quatro centenas. Algumas das suas novelas, como The Martian Chronicles ou Dandelion Wine, são, elas próprias, a reutilização de textos previamente existentes, inseridos e adaptados a um formato mais longo. Assim, exceptuando as onze novelas, os restantes títulos da sua autoria são, na grande maioria, antologias de contos, incluindo por vezes um par de textos inéditos, pelo que é frequente encontrar nelas alguns contos já aparecidos em livros anteriores – como aqui acontece com “The Long Rain” ou “The Fog Horn”, por exemplo. R is for Rocket é uma dessas colectâneas e contém 17 contos datados entre 1943 e 1956. O excerto abaixo foi retirado de “The Strawberry Window”.
His wife moved, a slight turn of her head.
Bob," she said at last, "I want to go home!"
"Carrie!"
"This isn't home," she said. He saw that her eyes were wet and brimming. "Carrie, hold on awhile!"
"I've got no fingernails from holding on now!"
As if she still moved in her sleep, she opened her bureau drawers and took out layers of handkerchiefs, shirts, underclothing, and put it all on top of the bureau, not seeing it, letting her fingers touch and bring it out and put it down. The routine was long familiar now. She would talk and put things out and stand quietly awhile, and then later put all the things away and come, dry-faced, back to bed and dreams. He was afraid that some night she would empty every drawer and reach for the few ancient suitcases against the wall.
"Bob. . ." Her voice was not bitter, but soft, featureless, and as uncolored as the moonlight that showed what she was doing. "So many nights for six months I've talked this way, I'm ashamed. You work hard building houses in town. A man who works so hard shouldn't have to listen to a wife gone sad on him. But there's nothing to do but talk it out. It's the little things I miss most of all. I don't know—silly things. Our front-porch swing. The wicker rocking chair, summer nights. Looking at the people walk or ride by those evenings, back in Ohio. Our black upright piano, out of tune. My Swedish cut glass. Our parlor furniture—oh, it was like a herd of elephants, I know, and all of it old. And the Chinese hanging crystals that hit when the wind blew. And talking to neighbors there on the front porch, July nights. All those crazy, silly things . . . they're not important. But it seems those are things that come to mind around three in the morning. I'm sorry."
"Don't be," he said. "Mars is a far place. It smells funny, looks funny, and feels funny. I think to myself nights too. We came from a nice town."
"It was green," she said. "In the spring and summer. And yellow and red in the fall. And ours was a nice house; my, it was old, eighty-ninety years or so. Used to hear the house talking at night, whispering away. All the dry wood, the banisters, the front porch, the sills. Wherever you touched, it talked to you. Every room a different way. And when you had the whole house talking, it was a family around you in the dark, putting you to sleep. No other house, the kind they build nowadays, can be the same A lot of people have got to go through and live in a house to make it mellow down all over. This place here, now, this hut, it doesn't know I'm in it, doesn't care if I live or die. It makes a noise like tin, and tin's cold. It's got no pores for the years to sink in. It's got no cellar for you to put things away for next year and the year after that. It's got no attic where you keep things from last year and all the other years before you were born. If we only had a little bit up here that was familiar, Bob, then we could make room for all that's strange. But when everything, every single thing is strange, then it takes forever to make things familiar."
He nodded in the dark. "There's nothing you say that I haven't thought."
Li anteriormente:
Crónicas Marcianas (1950)
O Homem Ilustrado (1951)
Fahrenheit 451 (1953)
25 de febreiro de 2024
O Mistério das Catedrais
Fulcanelli
O Mistério das Catedrais (1926)
Ninguém sabe quem se ocultou sob o pseudónimo Fulcanelli, à excepção de Eugène Canseliet, autor dos prefácios desta obra e seu pretenso discípulo. Especula-se que Canseliet poderia ser o verdadeiro autor, tal como Jean-Julien Champagne – responsável pelas gravuras que acompanhavam a edição original, entretanto substituídas por fotografias em edições posteriores –, entre outras hipóteses aventadas. O livro conheceu algum interesse no período entre guerras, mas foi sobretudo a partir do aparecimento d’O Despertar dos Mágicos, de Pauwels e Bergier, onde é profusamente citado, que a sua projecção aumentou.
Segundo Fulcanelli, as catedrais góticas eram o repositório do conhecimento da alquimia medieval, esculpido na pedra, à vista de todos, mas acessível apenas aos iniciados, capazes de apreender o significado dos símbolos e da doutrina hermética. Descrevendo a alquimia como ciência exacta, mas esotérica, cujo saber é transmitido de mestre a discípulo, faz alusão a uma série de segredos que não podem ser revelados a profanos – é legítimo, então, perguntar qual o sentido de editar um livro como este, por certo dirigido aos profanos, dado que as “revelações” no campo da alquimia serão o bê-á-bá de qualquer praticante digno desse nome.O Mistério das Catedrais faz um estudo hermético da catedral gótica, tomando Notre-Dame de Paris como maior exemplo, analisando esculturas e pormenores arquitectónicos, fazendo depois o paralelo com a Notre-Dame de Amiens, acrescentando ainda dois exemplos adicionais de arquitectura civil em Bourges, e um cruzeiro em Hendaia. Poder-se-ia ser tentado a reconhecer uma apropriação de temas sagrados e cenas bíblicas, existentes nas catedrais, a posteriori, para a interpretação alquímica e esotérica; no entanto, torna-se mais verosímil ter existido alguma influência da alquimia no alto clero, pois não parece credível que a Igreja não encontrasse no seu seio alguém capaz de identificar aquela simbologia, à época, e financiasse as construções sem a mínima noção do seu significado, como parece sugerir Fulcanelli. Fica também por perceber se Paris e Amiens são casos isolados, ou até que ponto as catedrais góticas francesas (e fora de França) estarão recobertas de simbologia alquímica.
O século XVIII, reino da aristocracia e do belo espírito, dos abades da corte, das marquesas empoadas, dos gentis-homens de peruca, tempo abençoado dos mestres de dança, dos madrigais e das pastoras de Watteau, o século brilhante e perverso, frívolo e amaneirado que deveria afogar-se em sangue, foi particularmente nefasto para as obras góticas.
Arquitectos, pintores, escultores, preferindo a sua própria glória à da Arte, dedicaram-se aos modelos antigos imitados em Itália.
Os construtores da Idade Média tinham como apanágio a fé e a modéstia. Artesãos anónimos de puras obras-primas, construíram para a Verdade, para a afirmação do seu ideal, para a propagação e a nobreza da sua ciência. Os do Renascimento, preocupados sobretudo com a sua personalidade, ciosos do seu valor, construíram para a posteridade do seu nome. A Idade Média deveu o seu esplendor à originalidade das suas criações; o Renascimento deveu a sua fama à fidelidade servil das suas cópias. Aqui, um pensamento; ali, uma moda. De um lado, o génio; do outro, o talento. Na obra gótica, a construção permanece submetida à Ideia; na obra renascentista, domina-a e apaga-a. Uma fala ao coração, ao cérebro, à alma: é o triunfo do espírito; a outra dirige-se aos sentidos: é a glorificação da matéria. Do século XII ao século XV, pobreza de meios mas riqueza de expressão; a partir do século XVI, beleza plástica, mediocridade de invenção. Os mestres medievais souberam animar o calcário vulgar; os artistas do Renascimento deixaram o mármore inerte e frio.
É o antagonismo desses dois períodos, nascidos de conceitos opostos, que explica o desprezo do Renascimento e a sua profunda repugnância por tudo o que era gótico.
Tal estado de espírito devia ser fatal à obra da Idade Média; e é a ele que, efectivamente, devemos atribuir as inúmeras mutilações que hoje deploramos.
9 de febreiro de 2024
O que Há-de Ser o Mundo no Ano Três Mil
Pedro José Supico de Morais
O que Há-de Ser o Mundo no Ano Três Mil (1860)
Este livro tem uma história algo nebulosa. Foi publicado em Lisboa em 1860, sem nenhuma referência ao nome do autor na capa ou no frontispício, e era preciso ler a primeira página de texto, a "Protestação", para encontrar o nome de Pedro José Suppico de Moraes. E só na página 179 se revela ao leitor o nome do autor original da obra O que Ha de ser o Mundo no Anno Tres Mil: E. Souvestre. Na verdade, o francês Émile Souvestre escreveu Le Monde tel qu’il Sera em 1846, mas Supico de Morais (pseudónimo de Sebastião José Ribeiro de Sá) não se limitou a fazer a tradução, antes uma adaptação para o leitor português do século XIX, com alterações significativas ao texto original.
Assim, Marta e Maurício, jovem casal na contemplação da paisagem nocturna parisiense, expressam o desejo de poder ver o belo futuro longínquo, dormir durante séculos para acordar num mundo perfeito. De imediato aparece um ente demoníaco, Sir John Progresso, que se dispõe a fazer-lhes a vontade, e eis que Marta e Maurício acordam no ano 3000, numa sociedade distópica, cuja descrição fantasiosa e caricatural destina-se sobretudo a ridicularizar, pelo exagero, o materialismo da burguesia novecentista. Este admirável mundo novo, entre a sátira corrosiva e alguma nota sentimental, não se enquadra propriamente na ficção-científica, ao modo de Júlio Verne ou H.G. Wells, tem mais afinidades com as viagens fantásticas de Jonathan Swift ou Cyrano de Bergerac.
O observatorio da cidade Sem-Egual estava edificado no centro de um espaçoso jardim, e ficava em altura propria, a fim de, sem obstaculo, descobrir o horisonte.
Era nesse recinto consagrado ás lentes e ás tabellas, que o maior astronomo da capital mantinha em escrupulosa exactidão o registro civil dos corpos celestes, contendo com fabuloso escrupulo, em muitas casinholas riscadas, as allianças e a época da sua morte. A lua era ha muito tempo o particular objecto da attenção do sabio. De dia andava à procura della, e á noite ficava horas inteiras em contemplação ante o pallido astro, como dizem os poetas.
Quando Palafox, o doutor, e seus hospedes entraram, o sabio tinha a mão esquerda sobre o joelho, e a direita no movimento do telescopio pelo qual olhava em extasis com queixo caido e as farripas erguidas em volta da espaçosa calva.
— Ainda os estou vendo, dizia elle a Palafox sem se voltar; são os mesmos de hontem.
— Estaes a vêr quem? perguntou o academico aproximando-se.
— Quem? replicou Palafox, que tinha estado aopé do astrologo, o mesmo par de amantes lunaticos, que o nosso illustre amigo está observando ha oito dias, tendo sido testimunha de todos os preliminares da paixão : signaes telegraphicos pelas janellas, troca de cartas, e saltos pelos muros.
— Eil-os que se aproximam, interrompeu o astronomo. Distingo tudo perfeitamente, menos o rosto da mulher, porque está cuberto com um veu. A scena é n'um jardim. . . com um kiosque. . . Lá se assentam á sombra de uma figueira.
— Mau signal, resmungou o doutor ; é a arvore perto da qual nossa primeira mãe encontrou Satanaz!
— A mulher parece assustada. . . disse o astrólogo, sem deixar de olhar pelos vidros do telescopio, nem um momento. . . Olha em roda de si como quem desconfia.
— Dar-se-ha caso que na lua também haja maridos! observou o corretor de narizes e generos coloniaes; e voltando-se para o academico Universal, como quem se lembra de uma coisa a proposito de outra, disse-lhe : Meu doutor se me explicasseis a fórma symbolica do crescente da lua muito vos agradeceria. . .
— Silencio pelo amor de Deus, bradou o astronomo ; a lua póde ter ouvidos. . . a mulher está resolvida a sentar-se.
Neste ponto começou o seguinte dialogo entre os dois académicos :
— Muito bem! e depois. . .
— Elle pede-lhe a mão com um gesto. . .
— E ella?
— Resiste.
— É para que peça as duas. . .
— Elle da-lhe um abraço. . .
— Bom signal.
— Ajoelha a seus pés. . .
— Ora essa, exclamou Palafox, em tal caso a vida na lua não é muito differente da que passamos por este mundo.
— Parece-me que deve haver alguma identidade, interrompeu sorrindo Mauricio.
— Mas por que razão deve existir essa identidade? perguntou o dr. Universal.
Maurício respondeu, porque o telescopio retomara a sua posição horisontal, e em vez de estar voltado para a lua, está na direcção do jardim.
O astronomo recuou dando um salto de cabrito.
— O jardim! repetiu elle . . . os coqueiros! . . o kiosque! . . . a figueira! . . .
— Tudo isto está diante da nossa vista.
O astronomo correu novamente para o telescópio.
— É verdade! disse elle. . . nunca tinha reparado em similhante coisa. E pondo-se em pé, espantado como um touro saido do curro ao estacar com a praça povoada de milhares de espectadores, eis que brada :
— Mas quem será a mulher que ia deixar cair o veu? . . . Dá nova investida ao telescopio, e com um grito sáem-lhe dos labios estas palavras :
— É minha mulher!
O que o pobre homem julgava vêr na lua é o que se estava passando em sua casa.
Houve um momento de perturbação geral. Palafox e o dr. Universal olharam um para o outro, Mauricio affastou-se um pouco da scena, e o dr. Telescópio foi cair sobre uma cadeira pallido e estupefacto.
— Não era o nosso querido satellite, balbuciou elle a final com terror.
— Era o vosso jardim o campo das observações que me admiravam, redargiu Palafox.
5 de febreiro de 2024
Infiltración Mundial
Salvador Borrego
Infiltración Mundial (1968)
Infiltração Mundial tem muitos pontos de contacto com Derrota Mundial, refazendo a mesma cronologia histórica, desta vez mais focado na infiltração marxista no coração do III Reich que, em última análise, o conduziu à derrota. Sabe-se que a doutrina de Marx não se destinava, originalmente, à Rússia (então um país quase medieval), mas aos países onde o capitalismo se encontrava mais desenvolvido, nomeadamente a Alemanha. A Revolução de Outubro foi uma oportunidade inesperada, consequência da 1GM, e o regime leninista passou a ser defendido com unhas e dentes, por políticos e banqueiros internacionais, com o fito de estender logo que possível a Revolução Mundial à Alemanha; a união do colosso industrial com o colosso de matérias-primas seria imparável. Durante a República de Weimar os dois países assinaram, em 1922, o Tratado de Rapallo, que teve como consequência a transferência massiva do avançado conhecimento técnico e industrial alemão para a URSS, permitindo aos soviéticos uma industrialização vertiginosa, sem que a Alemanha tenha tido contrapartidas visíveis. Com a chegada de Adolf Hitler ao poder o panorama mudou; no entanto, os dissimulados bolchevistas alemães conseguiram permanecer infiltrados no aparelho estatal, a todos os níveis, sem desistir do projecto revolucionário inicial. No desenrolar da 2GM essa teia de cumplicidades sabotou todo o esforço de guerra com o único fito de salvar o marxismo estalinista, procurando a derrota da Alemanha e a submissão a Moscovo. A infiltração estava colocada em postos cruciais: altas chefias do Estado Maior alemão, no Alto Comando, na Gestapo (surpreendentemente ingénua, apesar da imagem diabólica que dela se criou), até na própria SS. O Almirante Canaris, director do serviço de contra-espionagem e um dos traidores mais notórios, passou informação primordial ao inimigo durante cinco anos de guerra, ao mesmo tempo que ludibriava com informação falsa o lado alemão. Na verdade, o inimigo tinha todas as informações e todos os pormenores das movimentações militares seis a doze horas depois das decisões tomadas em Berlim, através de um contacto rádio via Suíça, o que lhe permitia anular o efeito surpresa e tomar as contra-medidas adequadas. Grande parte desta conspiração foi desmantelada após o atentado de 20 de Julho de 1944, demasiado tarde porém para mudar o curso da guerra.
A infiltração estava também espalhada por todo o Ocidente, como se comprovou no pós-guerra, votada ao triunfo do marxismo (enquanto ele foi instrumento útil dos poderes nas sombras) e permite perceber, por exemplo, as razões profundas que levaram à designada "caça às bruxas" do senador McCarthy, que nada teve a ver com uma perseguição paranóica e injustificada, tal como tem sido apresentada ao grande público.
El Movimiento de Infiltración no tenía muchos miembros, pero se hallaban colocados en sitios importantísimos. Su meta esencial era salvar al marxismo. Primero quisieron enganchar a Alemania con la URSS, como había empezado a hacerlo el Tratado de Rapallo, y cuando vieron que esto no era posible empezaron a enviar secretos a Moscú para que derrotara a las tropas alemanas.
Dicho movimiento permaneció siempre con este claro propósito. Sus miembros no cambiaron jamás de actitud, ni en los años en que Alemania iba de triunfo en triunfo, ni cuando la victoria estaba cerca, ni cuando era factible lograr una paz ventajosa. Ellos luchaban por el marxismo, según lo reiteró después de la guerra Rudolf Roessler, el intermediario entre la Infiltración radicada en Alemania y el Alto Mando soviético.
Es importante distinguir que además de la Infiltración había un pequeño grupo cambiante de descontentos que no simpatizaban con Hitler, o que creían en otra línea política menos audaz, o que ante las grandes dificultades perdían la moral. Estos hombres no eran propiamente infiltrados, aunque el movimiento de infiltración los cultivó y los utilizó ocasionalmente para sus fines.
Estos últimos buscaban categóricamente la derrota de Alemania como un medio para erigir un nuevo Régimen que fuera adicto a Moscú. Eso mismo había ocurrido en Rusia en 1916-1917, cuando los comunistas encabezados por Lenin, Trotzki, Stalin, Kamenev, Zinoviev, querían la derrota de Rusia en la primero guerra mundial para que sobreviniera el caos y pudiera luego surgir un régimen marxista.
Por eso la Infiltración que operaba en Alemania maniobró para que Hitler no lograra la paz con occidente; saboteó el esfuerzo bélico; transmitió secretos a fin de hacer fracasar la lucha en diversos frentes occidentales y, finalmente, desde que se inició la invasión de la URSS, desplegó un esfuerzo supremo para ayudar de mil modos al Ejército Rojo.
Los generales Hammerstein, ex jefe del ejército y Ludwig Beck, ex jefe del Estado Mayor General, nunca aportaron una idea ni movieron un dedo a favor de la lucha que su país realizaba, pero sí estuvieron siempre conspirando para provocar un cataclismo interno. Canaris, Schacht, Hassell, Oster y otros más quizá cientos eran de la misma condición.
[...]
Heydrich desconfiaba, y más por intuición que por huellas concretas, pensaba que había una filtración en el Alto mando Alemán. Concretamente recelaba del almirante Canaris.
A principios de 1942 la Gestapo capturó a un tal Dr. Strassman, sospechoso, y se averiguó que tenía conexiones con dos empleados del general Oster, o sea el segundo de Canaris. Heydrich quiso continuar las investigaciones con sumo tacto, sin tocar por de pronto a Oster para no alertar a los posibles culpables y evitar que se "sumergieran".
También con sumo cuidado Heydrich estaba haciendo espiar a Canaris. ¿Desconfiar del almirante, que había realizado una carrera intachable y que había sido uno de los primeros partidarios de Hitler cuando este llegó al poder?... Parecía insensato, pero algo le decía a Heydrich que Canaris era falso, que realizaba un doble juego.
Canaris también hacia espiar a Heydrich. Por el general Nebe —infiltrado en la Gestapo— Canaris sabía que Heydrich recelaba de él.
En ese punto las huellas desaparecen (porque muchísimos de los pasos de los pasos de los conjurados no dejaron huellas), pero alguien pensó en un audaz golpe para matar a Heydrich, precisamente en esos días. ¿Fue Canaris? ¿Hizo saber a sus cómplices en el extranjero que estaba en gravísimo peligro y que él no podía liquidar a Heydrich porque enseñaría las manos?
Eso se ignora. Lo que sí se sabe a ciencia cierta es que el israelita J.E. Sireni, partidario de la URSS y radicado en Londres, aconsejó al "Inteligence Service" británico que arrojara un comando de paracaidistas judíos detrás de las líneas alemanas para matar a Heydrich. En efecto, a mediados de mayo un avión de la RAF arrojó en Checoslovaquia a Jan Kubis, Joseph Gabeik y otros varios.
Estos sabían que Heydrich se alojaba en una casa de campo cerca de Praga y que usaba un Mercedes descapotable para ir a su oficina de la capital checa. No llevaba escolta, iba uniformado y únicamente lo acompañaba su chofer. Lo acecharon en el camino y le arrojaron una bomba de manufactura inglesa.
Mortalmente herido, Heydrich sacó su pistola e hizo fuego, pero enseguida se desplomó moribundo y cinco días después falleció. [...] El asesinato de Heydrich fue, por dos años más, la salvación de los inminentes infiltrados.
Li anteriormente:
Derrota Mundial (1953)
30 de xaneiro de 2024
Brighter Than A Thousand Suns
Robert Jungk
Brighter Than A Thousand Suns (1956)
Robert Jungk, autor de Mais Brilhante do que Mil Sóis, escritor e jornalista judeu nascido na Alemanha, tem, como tema dominante da sua obra literária, as questões levantadas pelo surgimento do armamento nuclear. Este livro em particular, balizado entre os anos de 1918 e 1955, acompanha as descobertas da Física que deram o suporte teórico ao desenvolvimento da bomba atómica (e à corrida ao armamento nuclear que se lhe seguiu), bem como as questões éticas e morais que se levantaram ante os cientistas, conscientes que o resultado do seu trabalho permitiria abrir portas ao aparecimento de armas de destruição massiva. Foi, igualmente, o primeiro livro publicado acerca do Projecto Manhattan. Resultado de entrevistas pessoais com os envolvidos na primeira linha da investigação – acompanhando essencialmente o seu ponto de vista e posicionamento – o livro acabou por se tornar objecto de controvérsia, ou porque alguns entrevistados contestaram a interpretação, ou até o sentido das suas declarações, ou porque o próprio Jungk considerou ter sido propositadamente induzido em erro com alguma da informação recebida. O certo é que num meio tão sensível e envolto em secretismo, a partir do momento em que foi capturado pela aplicação militar, é natural que as verdades de ontem se tornem nas mentiras de hoje. É, ainda assim, uma leitura quase viciante, sobre um tema um tanto árido, que marcou aquelas décadas do século XX.
These scientists were not only concerned about their personal freedom. They desired in particular to be free to enlighten their fellow men about the terrors of the new weapon. When they read in the newspapers, at that time, that members of Congress were in favour of the United States keeping the secret of the atom bomb to themselves, the physicists would have liked to retort that there was no atomic secret which could not be detected within a very short time by any nation scientifically of the first rank. They would have liked to press for the immediate convocation, on American initiative, of an international conference on the control of atomic development, as had been desired by Bohr, Szilard, and the author of the Franck Report.
A special subject brought up by the scientists at Los Alamos was the game of hide-and-seek played by the Army with the problem of radioactivity. Even before the atomic weapon had first been used some physicists had entreated General Groves to allow pamphlets to be dropped at the same time as the bomb, pointing out the unfamiliar dangers of radioactivity arising from the explosion of this new weapon. This request had been refused by the military authorities, for they feared that such warnings might be interpreted as a confession that they had been employing a type of weapon like poison gas.
They proceeded, probably from similar motives, to try to divert attention from the radioactive effects of atomic bombardment. It was explained that there was now no dangerous radioactivity to be found in the ruins of Hiroshima, and the number of the victims who had been exposed, at the moment of the explosion, to a fatal dose of radiation or one likely to cause chronic illness, was kept secret. Groves stated openly at a Congressional hearing that he had heard death from radiation was 'very pleasant'.
[...]
Just as in August 1945 and February 1950, so now, for the third time, the entire world was seized with horror at the frightful violence of the new weapons. The Japanese fishermen had been far beyond the danger zone determined by the Americans. And yet they had been exposed, some 120 miles away from the point of explosion, to its effects. They reached their home port of Yaizu on 14 March, sick and weak with sufferings they could not account for, and were at once taken to the hospital.
It was rumoured that the scientists had lost control of the new bomb, which had liberated the terrific quantity of energy equal to between 18 and 22 million tons of TNT. Mike's explosive force had been equal only to 3 million tons of dynamite. It was admitted that the bang had been twice as powerful as had been anticipated. But even more disturbing than this news was the poisonous effect of the new projectile, which was identified during the following days in rain over Japan, in lubricating oil on Indian aircraft, in winds over Australia, in the sky over the United States, and as far away as Europe.
The previous bombs had affected only the conscience of mankind, so soon to relapse again into apathy; but the latest 'hell bombs', it was evident from the reports, endangered the air that man breathed, the water he drank, and the food that he ate. They menaced, even in times of peace, the health of every person, wherever he lived.
24 de xaneiro de 2024
Cabalgar el Tigre
Julius Evola
Cabalgar el Tigre (1961)
Cavalgar o Tigre é uma análise aos vários vectores convergentes nas causas da dissolução social que assola o mundo moderno – ou seja, a civilização ou a sociedade burguesa. Na primeira parte debruça-se sobre o niilismo europeu que tomou forma com a morte de Deus, a percepção de Dostoievski, e como Nietzsche tentou resolver a questão, transferindo o princípio superior para o Homem que, decididamente, não está à altura da tarefa, deixando, na sua crítica, uma frase assassina: "Um verdadeiro niilismo não deixaria sequer a salvo a doutrina do super-homem".
Percorre depois o existencialismo, considerando-o como sinal dos tempos, forçado e snob na sua face mais popularizada, anarcoide, anticonformista e rebelde; a sua origem nas tertúlias universitárias, tipicamente pequeno-burguesas, desligadas na prática do que caracterizava a corrente teórica, dominado por sentimentos análogos aos previstos por Nietzsche, que assaltariam o homem libertado de Deus, e, sem ter a estatura necessária, seria esmagado por eles. O existencialismo nunca conseguiu ser a superação do sistema nietzschiano, e é descrito como um beco sem saída.
A parte final do livro volta-se para a ciência moderna, como produto previsível do enquadramento onde nasceu, da sua relação com o conhecimento, contendo ainda alguns capítulos sobre outros aspectos que marcam a sociedade, como as artes, a política, a economia, etc., vistos à luz da premissa inicial deste livro – o lugar do "homem diferenciado" não é onde se defende (o mundo burguês), mas onde se ataca.
La ciencia moderna entera no tiene el menor valor de conocimiento; se funda incluso en una renuncia formal al conocimiento en el sentido verdadero del término. La fuerza motriz y organizadora del conocimiento no procede del ideal del conocimiento sino exclusivamente de la exigencia practica, podría incluso decirse de la voluntad de poder aplicada a las cosas, a la naturaleza. Que se nos comprenda bien: no hablamos aquí de las aplicaciones técnicas e industriales aunque es evidente que la ciencia les debe principalmente su prestigio entre las masas, ya que en ellas se ve una prueba perentoria de su validez. Se trata, por el contrario, de la naturaleza misma de los procedimientos científicos en la fase que precede a las aplicaciones técnicas, la fase llamada de "investigación pura". En efecto, la noción misma de "verdad" en el sentido tradicional es ajena a la ciencia moderna; esta se interesa únicamente en hipótesis y fórmulas que permitan prever con la mayor exactitud posible el curso de los fenómenos y llevarlos a una cierta unidad. Y como no es cuestión de "verdad", como tampoco se trata de ver, sino de "tocar"; la noción de certidumbre en la ciencia moderna se reduce a la de la "mayor probabilidad", que todas las certidumbres científicas tengan un carácter exclusivamente "estadístico", los hombres de ciencia lo reconocen abiertamente, y en la física más reciente de las partículas, más categóricamente que nunca, el sistema de la ciencia no es más que una pequeña red que se cierra más y más en torno a un quid que, en sí mismo, permanece incomprensible con el único fin de poder domesticarlo en vista a fines prácticos.
Estos fines prácticos —repitámoslo— no conciernen más que en un segundo tiempo a las aplicaciones técnicas: sirven de criterio en el dominio mismo que debería ser el de conocimiento puro, en este sentido, incluso aquí, la tendencia fundamental es a esquematizar, ordenar la materia de los fenómenos de la forma más simple y manejable. Como se ha explicado muy justamente, un método se forma a partir de la fórmula simplex sigillum veri ["Lo simple es el sello de la verdad"], que confunde la verdad (o el conocimiento) con lo que no satisface más que a una necesidad práctica, exclusivamente humana, del intelecto. En último análisis, el impulso del conocer se transforma en un impulso para dominar, y es un sabio, Bertrand Russell, quien ha reconocido que la ciencia, de medio para conocer el mundo, se ha transformado en un simple medio para cambiar el mundo. […]
La "objetividad" científica consiste únicamente en estar dispuesto en todo momento a abandonar las teorías e hipótesis en vigor, en cuanto se presentan otras susceptibles de controlar mejor la realidad y de hacer entrar en el sistema de lo que se había vuelto ya previsible y utilizable fenómenos que no habían sido aún estudiados o que parecían irreductibles: y esto en ausencia de todo principio válido de una vez por todas, por sí mismo, en virtud de su naturaleza intrínseca. Igualmente, quien puede utilizar un fusil moderno de largo alcance abandona pronto el fusil de pedernal.
Li anteriormente:
El Misterio del Grial (1937)
Imperialismo Pagano (1928)
Revolta Contra o Mundo Moderno (1934)
13 de xaneiro de 2024
El Error Espiritista
René Guénon
El Error Espiritista (1923)
Na esteira de O Teosofismo, René Guénon dedicou a sua atenção ao espiritismo, denunciando-lhe o carácter moderno, na teorização e interpretação dos fenómenos que pretende explicar. Uma vez mais, encontra-se aqui a crença no progresso, através da ideia da reencarnação, bem como um tom de fundo socialista e humanitário desde a sua origem, que espelha o pensamento dos seus fundadores, na primeira metade do séc. XIX, não chegando sequer a constituir uma pretensa doutrina – como a teosofia – mas, simplesmente um aglomerado grosseiro de convicções moralistas e sentimentalistas, próprias para a satisfação de uma vaga religiosidade. E ainda, não menos significativo, o aspecto essencialmente material de que se reveste a comunicação com os mortos, e a preocupação de envolver as suas teorias numa aparência «científica», tal como ela é entendida na modernidade. Admitindo, após excluir as muitas fraudes, que resta ainda um conjunto de fenómenos resistentes à catalogação, identificados em tempos e culturas diversas, cuja explicação está muito distante da que é proposta por espiritistas e "neoespiritualistas", Guénon adverte para os riscos desta prática, onde a teoria jamais se separa da experiência, concluindo que, se o espiritismo fosse unicamente teórico, seria muito menos perigoso do que é na realidade.
Pero
volvamos a las enseñanzas de los «espíritus» y a sus innumerables
contradicciones: admitiendo que esos «espíritus» sean aquello por
lo que se dan, ¿qué interés puede tener escuchar lo que dicen si
no concuerdan entre ellos, y si, a pesar de su cambio de condición
no saben más que los vivos? Sabemos bien lo que responden los
espiritistas, que hay «espíritus inferiores» y «espíritus
superiores», y que estos últimos son los solos dignos de fe,
mientras que los otros, bien lejos de poder «iluminar» a los vivos,
tienen frecuentemente necesidad al contrario de ser «iluminados»
por ellos; ello, sin contar con los «espíritus farsantes» a los
que se deben un montón de «comunicaciones» triviales o incluso
obscenas, y que es menester contentarse con desecharlas pura y
simplemente; ¿pero cómo distinguir estas diversas categorías de
«espíritus»? Los espiritistas se imaginan tratar con un «espíritu
superior» cuando reciben una «comunicación» a la que encuentran
de un carácter «elevado», ya sea porque tiene un matiz de prédica,
o ya sea porque contiene divagaciones vagamente filosóficas; pero,
desgraciadamente, las gentes sin partido tomado no ven en ellas
generalmente más que un entramado de simplezas, y si, como ocurre
frecuentemente, esa «comunicación» está firmada por un gran
hombre, tendería a hacer creer que éste ha hecho todo lo contrario
que «progresar» después de su muerte, lo que pone en entredicho el
evolucionismo espiritista. Por otra parte, estas «comunicaciones»
son las que encierran enseñanzas propiamente dichas; como las hay
contradictorias, todas no pueden emanar igualmente de «espíritus
superiores», de suerte que el tono serio que afectan, no es una
garantía suficiente; ¿pero a qué otro criterio se puede recurrir?
Cada grupo está naturalmente admirado ante las «comunicaciones»
que obtiene, pero desconfía fácilmente de las que reciben los
demás, sobre todo cuando se trata de grupos entre los cuales existe
una cierta rivalidad; en efecto, cada uno de ellos tiene generalmente
su médium titulado, y los médiums hacen prueba de unos increíbles
celos al respecto de sus colegas, ya sea pretendiendo monopolizar
ciertos «espíritus», o ya sea contestando la autenticidad de las
«comunicaciones» de otro, y los grupos al completo les siguen en
esta actitud; ¡y todos los medios donde se predica la «fraternidad
universal» son así más o menos! Cuando hay contradicción en las
enseñanzas, todavía es peor: todo lo que los unos atribuyen a
«espíritus superiores», los otros ven en ello la obra de
«espíritus inferiores», y recíprocamente, como en la querella
entre reencarnacionistas y antireencarnacionistas; cada uno hace
llamada al testimonio de sus «guías» o de sus controles, es decir,
de los «espíritus» en quienes ha puesto su confianza, y que, bien
entendido, se apresuran a confirmarle en la idea de su propia
«superioridad» y de la «inferioridad» de sus contradictores. En
estas condiciones, y cuando los espiritistas están tan lejos de
entenderse sobre la cualidad de sus «espíritus», ¿cómo se podría
dar fe a sus facultades de discernimiento? E, incluso si no se
discute la proveniencia de sus enseñanzas, ¿pueden éstas tener
mucho más valor que las opiniones de los vivos, puesto que estas
opiniones, incluso erróneas, persisten después de la muerte, según
parece, y no deben desvanecerse o corregirse sino con una extrema
lentitud?
[...]
Al
considerar las «comunicaciones» como acabamos de hacerlo, solo
tenemos en vista las que se obtienen fuera de todo fraude, ya que las
otras no tienen evidentemente ningún interés; la mayoría de los
espiritistas son ciertamente de muy buena fe, y solo los médiums
profesionales pueden ser sospechosos «a priori», incluso cuando han
dado pruebas manifiestas de sus facultades. Por lo demás, las
tendencias reales de los medios espiritistas se muestran mejor en los
pequeños grupos privados que en las sesiones de los médiums de
renombre; todavía es menester saber distinguir entre las tendencias
generales y las que son propias a tal o a cual grupo. Estas últimas
se traducen especialmente en la elección de los nombres bajo los
cuales se presentan los «espíritus», sobre todo aquellos que son
los «guías» titulados del grupo; se sabe que son generalmente
nombres de personajes ilustres, lo que haría creer que éstos se
manifiestan con mucha mayor frecuencia que los demás y que han
adquirido una especie de ubicuidad (tendremos que hacer una precisión
análoga sobre el tema de la reencarnación), pero también que las
cualidades intelectuales que poseían sobre esta tierra han
disminuido penosamente. En un grupo donde la religiosidad era la nota
dominante, los «guías» eran Bossuet y Pío IX; en otros donde
priva la literatura, son grandes escritores, entre los cuales el que
se encuentra lo más frecuentemente es Víctor Hugo, sin duda porque
también era espiritista. Solamente, hay esto de curioso: en Víctor
Hugo, no importa quién o incluso no importa qué se expresaba en
verso de una perfecta corrección, lo que concuerda con nuestra
explicación; decimos no importa qué, ya que recibía a veces
«comunicaciones» de entidades fantasiosas, como la «sombra del
sepulcro» (y no hay más que dirigirse a sus obras para ver su
proveniencia); pero, en el común de los espiritistas, Víctor Hugo
ha olvidado hasta las reglas más elementales de la prosodia, si
aquellos que le interrogan las ignoran ellos mismos.
Li
anteriormente:
El
Teosofismo: Historia de una pseudorreligión (1921)
O
Esoterismo de Dante (1925)
El
Reino de la Cantidad y los Signos de los Tiempos (1945)
1 de decembro de 2023
Limónov
Emmanuel Carrère
Limónov
(2011)
Emmanuel
Carrère, jornalista francês, conheceu Eduard Limónov na sua
juventude, nos inícios dos anos 80, durante a passagem por Paris do
dissidente soviético, o escritor vindo de Nova Iorque, com uma certa
aura de rebeldia punk, o aventureiro divertido que a todos
impressionava. Após a derrocada da União Soviética, assistiu
incrédulo à passagem de Limónov pela Sérvia de Radovan Karadžić,
e ao seu papel de fundador do Partido Nacional Bolchevique na Rússia,
entre outras actividades que não conseguiu assimilar. Ainda assim,
procurou Limónov em Moscovo, quando este já tinha 65 anos e temia
pela sua segurança pessoal, para as entrevistas que deram origem a
esta biografia romanceada de uma personagem que não conseguia
entender, resultado tanto da admiração como da repulsa.
Limónov,
escrito quase como um livro de aventuras, acompanha a vida do
biografado, desde o seu nascimento em 1943, durante a guerra, à
adolescência de delinquência em Karkov, onde, mais tarde, acabou
por entrar no pequeno e provinciano círculo literário e boémio da
cidade. A ambição por voos mais altos levou-o depois a Moscovo,
onde permaneceu outros sete anos, antes de rumar a Nova Iorque, onde
ficou entre 1975 e 1980. Nessa cidade, à qual tinha chegado cheio de
sonhos, Limónov viveu uma vida dura, por vezes degradante, enquanto
ia vertendo a sua experiência pessoal em manuscritos sucessivamente
recusados, sem conseguir tornar-se no novo Henry Miller, nem alcançar
a fama que julgava sua por direito. Quando a sorte mudou, o primeiro
livro acabou por ser publicado no outro lado do Atlântico, no Outono
de 1980, por um editor parisiense, e traduzido depois nos EUA pelas
editoras que antes o tinham recusado. O relato segue o percurso de
Limónov em Paris e, nos anos finais da URSS, o regresso a Moscovo e
a Karkov, o reencontro com os pais, na casa de onde tinha partido
quinze anos antes. A etapa seguinte passa-se em Vukovar e Sarajevo,
durante a guerra, e de novo em Moscovo, para assistir ao fim da URSS,
à ascensão de Iéltsin e às convulsões que marcaram o início dos
anos 90, e outra vez na guerra dos Balcãs, na Krajina. Novamente em
Moscovo, assiste-se ao início do partido, com Aleksandr Dugin, e ao
posterior afastamento entre os dois; decorrem os dois desastrosos
mandatos de Iéltsin e, na sua sucessão, Vladimir Putin chega ao
Kremlin, e o partido é proibido. Como consequência dessa lei foi
encarcerado durante alguns meses e, por fim, libertado antes de
completar a pena, atendendo ao seu estatuto de escritor reconhecido.
Pienso
que los primeros años de su estancia en París fueron los más
felices de su vida. Había escapado por los pelos de la miseria y el
anonimato. La publicación del Poeta ruso, seguida del Diario
de un fracasado, le había convertido en una pequeña estrella en
un medio que le gustaba: no tanto el de la edición y la prensa
literaria seria como el de los jóvenes a la moda que adoraron al
instante su facha, su francés patoso y sus comentarios
tranquilamente provocativos. Bromas crueles sobre Solzhenitsyn,
brindis por Stalin, era justamente lo que la gente quería oír en
una época y un ambiente que, después de haber enterrado a la vez el
fervor político y las boberías alternativas, sólo admiraba el
cinismo, el desencanto y la frivolidad glacial. Incluso en la
indumentaria, el estilo soviético gozaba del favor de los pospunks,
que se pirraban por las gafas gruesas de concha al estilo Politburó,
las insignias del Komsomol, las fotos de Brézhnev besando en los
labios a Honecker, y Limónov se quedó atónito y luego se emocionó
al ver en los pies de un joven estilista superenrollado unos botines
de plástico con botones a presión que eran idénticos a los que
llevaba su madre en Járkov a principios de los años cincuenta.
[...]
Yeltsin,
tan amado al principio, es ahora tan detestado como su antecesor, y
la elección presidencial parece tan adversa para él que piensa
seriamente en anularla. Como le repite en la sauna el tonton
macoute Koriakov: «Borís Nikoláievich, la democracia está
bien, pero sin elecciones es más segura.»
La
alternativa esta vez no es un histrión como Zhirinovski, sino
directamente los comunistas. Cinco años antes, Yeltsin declaró
fuera de la ley a este partido. Se creía definitivamente terminada
la experiencia aterradora y grandiosa que se llevó a cabo con la
especie humana en la Unión Soviética. Pues bien, al cabo de cinco
breves años de experiencia democrática, todos los sondeos coinciden
y hay que rendirse a esta perturbadora evidencia: la gente está tan
harta de la democracia, del mercado y de la injusticia consiguiente
que se dispone a votar en masa al partido comunista.
Su
líder, Ziugánov, no propone reabrir el gulag o reconstruir el Muro
de Berlín. Bajo la etiqueta de «comunista» , este político
prudente y sin brillo vende menos la dictadura del proletariado que
la lucha contra la corrupción, un poco de orgullo nacional y la
misión espiritual de la Rusia ortodoxa frente al nuevo orden
mundial. Dice que Jesús fue el primer comunista. Promete que si le
votan los ricos serán menos ricos, los pobres menos pobres, y como
mínimo todo el mundo debería estar de acuerdo en la segunda parte
de este programa: ¿quién es realmente partidario de que los viejos
mueran de hambre y de frío?
Sin
embargo, los oligarcas se asustan ante la idea de que quieran
hacerles menos ricos, sobre todo ahora que acaban de inventar y de
endilgar a Yeltsin un chanchullo maravilloso para enriquecerse aún
más: los «préstamos a cambio de acciones». La idea es simple: sus
bancos prestan dinero al Estado, cuyas arcas están vacías, los
préstamos están garantizados por los buques insignia, todavía no
privatizados, de la economía rusa —el gas, el petróleo, las
auténticas riquezas del país—, y si al cabo de un año el Estado
no ha pagado, pasarán por la caja y se cobrarán ellos mismos. El
vencimiento cae después de las elecciones presidenciales y en
consecuencia es vital para los oligarcas que Yeltsin sea todavía
presidente en ese momento, y no un Ziugánov que para mostrar su
virtud amenaza con denunciar el trapicheo.
2 de novembro de 2023
El Teosofismo: Historia de una pseudorreligión
René Guénon
El Teosofismo:
Historia de una pseudorreligión (1921)
No Prólogo, o
autor sublinha a diferença entre teosofia, uma designação genérica
que abarcava um conjunto variado de autores que se tinham dedicado a
temas esotéricos inseridos numa tradição cristã ocidental, e o
teosofismo, um neologismo necessário para descrever a doutrina –
um termo aqui indevidamente aplicado – da Sociedade Teosófica, que
na época alcançava uma projecção notável. René Guénon desmonta
depois toda a Sociedade Teosófica, desde o seu início envolvida em
escândalos que a desacreditavam, até ao seu corpo
religioso-filosófico, por vezes plagiado, num amontoado confuso de
ideias avulsas, frequentemente contraditórias. Não existia qualquer
ligação à tradição e, longe de ser a "origem comum" de
todas as doutrinas, como pretendia, tudo isto se agrupava à volta de
duas ou três ideias, aparecidas na modernidade, de natureza
ocidental – evolução, materialidade, humanismo – revestidas de
uma aparência oriental.
A edição
original de O Teosofismo: História de uma Pseudo-Religião é
de 1921, mas René Guénon actualizou posteriormente algumas
considerações e acrescentou notas de rodapé sobre factos
entretanto acontecidos, bem como uma secção dedicada à recensão
de livros e revistas, mais ou menos relacionados com o tema da obra,
publicados entre 1929 e 1948.
De la amalgama de todos esos elementos heterogéneos que acabamos de indicar salieron las grandes obras de Mme Blavatsky, Isis Dévoilée y Doctrine Secrète; y estas obras fueron lo que debían ser normalmente en semejantes condiciones: compilaciones indigestas y sin orden, verdaderos caos donde algunos documentos interesantes están ahogados en medio de un cúmulo de aserciones sin ningún valor; ciertamente, sería perder el tiempo buscar ahí dentro lo que puede ser encontrar mucho más fácilmente en otras partes. Por lo demás, abundan los errores y las contradicciones, que son tales que las opiniones más opuestas podrían encontrar ahí su satisfacción: por ejemplo, se dice sucesivamente que hay un Dios, después que no lo hay; que el «Nirvana» es una aniquilación, y después que es todo lo contrario; que la metempsicosis es un hecho, después que es una ficción; que el vegetarianismo es indispensable para el «desarrollo psíquico», después que es simplemente útil, y así con todo lo demás. Pero todo esto se comprende sin mucho esfuerzo, ya que, además de que las ideas de Mme Blavatsky han variado ciertamente en una medida muy amplia, escribía con una rapidez prodigiosa, sin referirse nunca a las fuentes, ni, probablemente, a lo que ella misma había escrito ya. Sin embargo, es esta obra tan defectuosa la que ha formado siempre el fondo de la enseñanza teosofista, y a pesar de todo lo que ha podido venir a agregarse o a superponerse a ella después, e incluso de las correcciones que se le han podido hacer sufrir bajo la cubierta de la «interpretación», goza siempre, en la Sociedad, de una autoridad incontestada, y, si no contiene la doctrina toda entera, contiene al menos los principios fundamentales, si es que se puede hablar de doctrina y de principios cuando se está en presencia de un conjunto tan incoherente.
Cuando hablamos aquí de autoridad incontestada, eso se aplica sobre todo a la Doctrine Secrète, pues no parece ser lo mismo para Isis Dévoilée. Así, M. Leadbeater, al establecer una suerte de «plan de estudios» para el teosofismo, recomienda vivamente la primera, a la que llama «El mejor libro de todos», pero ni siquiera menciona a la segunda. Vamos a indicar aquí una de las razones principales de esta reserva, que se explica fácilmente, ya que es sobre todo la comparación de estas dos obras lo que hace resaltar las variaciones y las contradicciones que señalamos hace un momento.
[...]
En efecto, la verdad es que no ha habido nunca ningún «budismo esotérico» auténtico; si se quiere encontrar esoterismo, no es ahí donde es menester dirigirse, ya que el budismo fue esencialmente, en sus orígenes, una doctrina popular que servía de apoyo teórico a un movimiento social de tendencia igualitaria. En la India, no fue más que una simple herejía, que ningún lazo real pudo vincular nunca a la tradición brahmánica, con la que, al contrario, había roto abiertamente, no sólo desde el punto de vista social, al rechazar la institución de las castas, sino también desde el punto de vista puramente doctrinal, al negar la autoridad del «Veda». Por lo demás, el budismo representaba algo tan contrario al espíritu hindú que, desde hace mucho tiempo, ha desaparecido completamente de la región donde había tenido nacimiento; tan sólo en Ceylán y en Birmania existe todavía en estado casi puro, y, en todos los demás países donde se extendió, se ha modificado hasta el punto de devenir completamente irreconocible. Generalmente, en Europa se tiene una tendencia a exagerar la importancia del budismo, que, con mucho, es ciertamente la menos interesante de todas las doctrinas orientales, pero que, precisamente porque constituye para el Oriente una desviación y una anomalía, puede parecer más accesible a la mentalidad occidental y menos alejada de las formas de pensamiento a las que está acostumbrada. Esa es probablemente la razón principal de la predilección de que ha sido objeto siempre el estudio del budismo por parte de la gran mayoría de los orientalistas, aunque, en algunos de entre ellos, se hayan mezclado intenciones de otro orden, que consisten en intentar hacer de él el instrumento de un anticristianismo, al que, evidentemente, en sí mismo, es completamente extraño.
Li
anteriormente:
O
Esoterismo de Dante (1925)
El
Reino de la Cantidad y los Signos de los Tiempos (1945)
La
Crisis del Mundo Moderno (1927)
27 de setembro de 2023
Introdução à Noomaquia
Aleksandr Dugin
Introdução à Noomaquia (2018)
As dez "lições" que compõem a Introdução à
Noomaquia são o resultado de outras tantas palestras, dadas por
Aleksandr Dugin em Belgrado, em Março de 2018, na apresentação do
seu vasto projecto editorial, ainda em curso, Noomaquia. Sendo um
livro de filosofia pura, há alguns conceitos-base que é necessário
dominar, explicados logo no início, dos quais se destacam: o Nous,
que designa o pensamento, que se expressa através do Logos,
uma identidade cultural colectiva. Já Nietzsche tinha abordado a
questão do Logos, a forma de entender o mundo, atribuindo-lhe
um carácter apolíneo ou dionisíaco, aos quais Dugin acrescenta
agora o cibelino, que vem complementar e fechar o edifício teórico
dos conceitos anteriores. Todas as culturas, ou civilizações,
possuem estes três Logoi, em proporções diferentes, num
equilíbrio designado por momento noomáquico, que lhes
transmite a sua peculiaridade; este equilíbrio não é estático e,
com o tempo, o Logos predominante pode ser modificado, por causas
internas ou externas. A Noomaquia é essa guerra do Nous, do
pensamento, da visão do mundo, sempre latente como realidade
dinâmica.
A Noologia, o estudo do Nous, é aqui apresentada como
a base filosófica e metafísica da multipolaridade, no
reconhecimento da pluralidade das culturas, descartando desde logo
caminhos de desenvolvimento universal e normativos do pensamento. O
respeito pelas diferentes culturas no tempo e espaço, sem tentar
impor valores falsamente universais, nem enganosas escalas de
avaliação, torna a Noologia num instrumento ao serviço da Quarta
Teoria Política, também da autoria de Dugin, que está a construir
um dos mais importantes legados filosóficos dos pensadores da sua
geração.
Apesar do que o título possa sugerir, não é o livro de entrada no
tema – esse intitula-se «Em Busca do Logos Negro» – e,
neste momento, Aleksandr Dugin tem já uma longa série de obras a
ele dedicadas, sobretudo na análise do Logos particular dos
povos e respectivas culturas. A Introdução à Noomaquia
debruça-se essencialmente sobre as linhas de força da cultura
indo-europeia, desde a pré-História ao séc. XXI, sendo um livro
altamente recomendável para quem procura as chaves que ajudam a
entender os tempos presentes, bem como a razão de ser dos nossos
esquemas de pensamento.
A tradição da Grande Mãe, de origem balcânica e anatólia,
continuou assim a viver na cultura agrícola das sociedades
indo-europeias sedentárias. Primeiro houve uma expansão da
civilização matriarcal pré-indo-europeia por toda a Europa. Depois
houve a onda das invasões indo-europeias, que criaram sociedades
europeias mistas e sedentárias, sob hegemonia indo-europeia. E a
realidade é que essa camada campesina pré-indo-europeia matriarcal
sempre constituiu parte considerável da população da Europa. Isso
explica por que nos nossos contos populares, nos nossos mitos, nas
nossas tradições, existem tantos elementos e figuras matriarcais,
mais ou menos ocultos. No nível da casta dos trabalhadores, na
terceira função das sociedades indo-europeias, foram integradas ao
longo do tempo muitas histórias sobre cobras, rainhas, deusas,
espíritos, demónios e outras criaturas mitológicas femininas de
vários tipos — por exemplo, pense-se na Rusalka eslava. Isto
aconteceu porque, quando as tribos indo-europeias se estabeleceram,
assimilaram esse horizonte existencial na sua estrutura.
É como um “pacto histórico” entre vencedores e perdedores.
Oficialmente, a civilização da Grande Mãe perdeu essa batalha
titânica contra os deuses olímpicos, e essa vitória fundou todo o
nosso sistema ético e toda a sequência da história europeia, que é
a história de como os turanianos conquistaram a “Velha Europa”,
a civilização paleo-europeia. No entanto, o horizonte existencial
conquistado viveu e ainda vive em nossa sociedade, na terceira
função. Poderíamos até escrever uma história da casta europeia
de cultivo completamente paralela à “história oficial”, isso é
a história das obras e empreendimentos das duas primeiras castas
(reis, heróis, santos, aristocratas, etc.), como se estivéssemos a
lidar com uma civilização específica incorporada na “civilização
oficial”. Não sabemos quase nada sobre esse mundo, já que sempre
celebramos apenas os feitos das castas superiores. Só nos séculos
XVIII e XIX se passou a compilar o folclore desse mundo campesino,
num renascimento da tradição nacional que reagia contra o Medievo e
o feudalismo. E aí descobrimos que havia uma imensa quantidade de
narrativas e elementos sobreviventes da tradição europeia arcaica,
temas que no Medievo estava totalmente fora da esfera de interesses
das castas eruditas. [...]
Podemos definir o universo agrícola e camponês como o ponto de encontro de dois horizontes existenciais, dois Dasein, ambos pertencentes à nossa civilização europeia: o horizonte do Logos de Apolo, representado pela ideologia trifuncional oficial, e o horizonte do Logos de Cibele, uma ideologia paralela, que conota a tradição de matriarcal e está presente na parte escura, no subconsciente da sociedade agrícola e sedentária. A nossa sociedade é baseada neste momento de Noomaquia. Mas a Noomaquia é um conflito contínuo; por outras palavras, ele continua no presente. O Logos de Cibele continua a existir dentro da nossa civilização. Não podemos acreditar na vitória de um Logos de uma vez por todas. Se o Logos de Apolo enfraquece, significa que outro Logos está a tornar-se mais forte. Assim, se o patriarcado começar a dissolver-se — é o caso da modernidade ocidental e, em particular, da pós-modernidade — outra tendência contrária começará a aparecer, a tornar-se cada vez mais explícita.
15 de setembro de 2023
Out Of Africa
Isak Dinesen [Karen Blixen]
Out Of Africa (1937)
Karen Blixen, que utilizava os pseudónimos Isak Dinesen nas edições em língua inglesa, e Tania Blixen nas de língua alemã, fez de Out Of Africa, mais que um livro de memórias, um registo da mudança dos tempos. Há uma certa nostalgia por um passado que se esfuma um pouco a cada dia que passa, desde as alterações na paisagem natural, às perdas e mortes de pessoas próximas, até ao abandono final da propriedade onde tinha planeado ficar o resto da vida. Da sua herdade, a plantação de café junto ao monte Ngongo, próximo de Nairobi, no Quénia, assiste-se ao ocaso de uma Inglaterra colonial no limiar dos novos tempos, onde o rugido dos leões à noite ainda convive com a chegada dos tractores agrícolas, sinal de uma "civilização" onde deixa de haver lugar para os pioneiros e para os aventureiros. E onde, segundo conta, os nativos, pelo convívio forçado com os colonos de diferentes origens, são já mais cosmopolitas do que os próprios agrários, dedicados ao quotidiano da sua vida sedentária.
When we had all our kilns
lighted we sat down and talked of life. I learned much about
Knudsen’s past life, and the strange adventures that had fallen to
him wherever he had wandered. You had, in these conversations, to
talk of Old Knudsen himself, the one righteous man,—or you would
sink into that black pessimism against which he was warning you. He
had experienced many things: shipwrecks, plague, fishes of unknown
colouring, drinking-spouts, water-spouts, three contemporaneous suns
in the sky, false friends, black villainy, short successes, and
showers of gold that instantly dried up again. One strong feeling ran
through his Odyssey: the abomination of the law, and all its works,
and all its doings. He was a born rebel, he saw a comrade in every
outlaw. A heroic deed meant to him in itself an act of defiance
against the law. He liked to talk of kings and royal families,
jugglers, dwarfs and lunatics, for them he took to be outside the
law,—and also of any crime, revolution, trick, and prank, that flew
in the face of the law. But for the good citizen he had a deep
contempt, and law-abidingness in any man was to him the sign of a
slavish mind. He did not even respect, or believe in, the law of
gravitation, which I learnt while we were felling trees together: he
saw no reason why it should not be—by unprejudiced, enterprising
people—changed into the exact reverse.
[...]
In the Reserve I have
sometimes come upon the Iguana, the big lizards, as they were sunning
themselves upon a flat stone in a riverbed. They are not pretty in
shape, but nothing can be imagined more beautiful than their
colouring. They shine like a heap of precious stones or like a pane
cut out of an old church window. When, as you approach, they swish
away, there is a flash of azure, green and purple over the stones,
the colour seems to be standing behind them in the air, like a
comet’s luminous tail.
Once I shot an Iguana. I
thought that I should be able to make some pretty things from his
skin. A strange thing happened then, that I have never afterwards
forgotten. As I went up to him, where he was lying dead upon his
stone, and actually while I was walking the few steps, he faded and
grew pale, all colour died out of him as in one long sigh, and by the
time that I touched him he was grey and dull like a lump of concrete.
It was the live impetuous blood pulsating within the animal, which
had radiated out all that glow and splendour. Now that the flame was
put out, and the soul had flown, the Iguana was as dead as a sandbag.
30 de agosto de 2023
O Despertar dos Mágicos
Louis Pauwels & Jacques Bergier
O Despertar dos Mágicos (1960)
A ideia inicial de Louis Pauwels, um escritor e jornalista francês
com interesses místicos, era escrever um livro sobre as sociedades
secretas; do seu encontro com Jacques Bergier, também escritor e
jornalista, nascido na Rússia e de ascendência judia, resultou um
alargamento do âmbito temático da obra, abarcando a alquimia, as
civilizações desaparecidas, o esoterismo, a parapsicologia e até,
sob outra designação, o trans-humanismo. Le Matin des Magiciens,
no título original, foi um sucesso de popularidade na sua época,
ajudou a dar visibilidade a assuntos até então marginais, e levou à
publicação de uma revista bimensal sobre a mesma temática,
Planète, que alcançou uma tiragem de 100 mil exemplares no
seu apogeu, embora tenha deixado de se publicar em 1968.
Com o subtítulo "Uma introdução ao realismo fantástico",
o livro defende a existência de um segundo plano da realidade,
oculto sob a aparência do senso comum, das convenções
estabelecidas e das versões oficiais; ele seria, na verdade, uma
supra-realidade capaz de se revelar ao observador capaz de
ultrapassar os preconceitos vigentes e de examinar os factos de mente
aberta. Como reacção a uma ciência mecanicista e determinista,
vinda do séc. XIX, o livro ampara-se nos conceitos não-euclidianos
das ciências do séc. XX (relatividade, física quântica) para
suportar a designada "pseudociência". No entanto, algo
contraditoriamente, uma quarta parte do livro é dedicada à
demolição do "esoterismo nazi", e à aos seus alegados
pressupostos paranormais, sob a forma de propaganda primária,
recorrendo a fontes totalmente desacreditadas (como Hermann
Rauschning), e apresentando as suas principais figuras como dominadas
pela superstição, pela irracionalidade ou pela possessão
demoníaca.
O Despertar dos Mágicos é escrito com um grande
voluntarismo, assumidamente apressado e superficial no tratamento dos
temas, escusando-se na justificação de evitar um volume com
demasiadas páginas, deixando as ideias no ar e desafiando outros
investigadores a entrar pelas portas que, generosamente, no seu
entender, deixa abertas. Resta ainda, a sua previsão de um futuro
próximo cheio de novas ciências, nascidas do encontro do "progresso
científico" com a "metafísica".
Não afirmamos que acreditamos em tudo, mas mostraremos no próximo
capítulo que o campo das ciências humanas é provavelmente muito
mais vasto do que imaginamos. Integrando todos os factos, sem
qualquer exclusão, e aceitando considerar todas as hipóteses
sugeridas por esses factos, sem qualquer espécie de a priorismo, um
Darwin, um Copérnico da antropologia criarão uma ciência
completamente nova se estabelecerem uma circulação constante entre
a observação objectiva do passado e todos os segredos do
conhecimento moderno em matéria de parapsicologia, de física, de
química, de matemática. Talvez lhes pareça que a ideia de uma
constante e lenta evolução da inteligência, de um sempre longo
avançar do saber, não é uma ideia sólida mas um tabu que nós
instituímos para nos supormos beneficiários, hoje, de toda a
história humana.
Qual o motivo por que as civilizações passadas não teriam
conhecido súbitos clarões durante os quais a quase totalidade do
conhecimento lhes teria sido revelada? Por que motivo aquilo que por
vezes se produz numa vida de homem, a inspiração, a intuição
fulgurante, a explosão do génio, não se teria produzido várias
vezes na vida da humanidade? Não interpretamos nós as poucas
recordações desses instantes de uma forma bastante falsa ao falar
de mitologia,de lendas, de magia? Se me mostrarem uma fotografia não
falsificada de um homem flutuando no espaço, não direi: é a
representação do mito de Ícaro, mas direi: é o instantâneo de um
salto ou de um mergulho. Qual o motivo por que não haveria estados
instantâneos nas civilizações?
Vamos citar outros factos, efectuar outras aproximações, formular
outras hipóteses ainda. Haverá sem dúvida muitos disparates no
nosso livro, repetimo-lo, mas isso importa muito pouco se este livro
suscitar algumas vocações e, em certa medida, preparar caminhos
mais amplos à investigação. Não passamos de dois pobres
quebradores de pedras: outros construirão a estrada.
17 de agosto de 2023
El Misterio del Grial
Julius Evola
El Misterio del Grial (1937)
Desenvolvendo o tema do Graal, Julius Evola propõe um estudo comparativo da literatura medieval a ele dedicada, toda ela produzida num curto espaço de tempo, entre o último quartel do séc. XII e o primeiro quartel do séc. XIII, correspondente ao apogeu da tradição medieval, o período de ouro do gibelinismo, da alta cavalaria, das Cruzadas e dos Templários. Daí retira o fundo comum das propriedades e virtudes do Graal, correspondentes a um percurso iniciático, em que a demanda do Graal será, na essência, um processo interior, sob uma aparência simbólica em alto grau, devedor da religiosidade celta e indo-europeia após o contacto com o cristianismo.
En cuanto a las referencias sobre José de Arimatea, constituyen el componente cristiano, aunque no católico y apostólico, de la saga. José es representado como «noble caballero» pagano llegado a Palestina que, por los servicios que había prestado a Poncio Pilatos durante siete años, obtiene de éste el cadáver de Jesús y recoge la sangre del costado en una copa que, según algunos textos, es el propio Grial. Encarcelado en «una casa parecida a un pilar hueco en medio de un pantano», a José se le aparece el Señor, quien le entrega la copa: y ésta le da luz y vida hasta su liberación, que según algunos textos no se produce hasta cuarenta años después. Todo esto sucede mientras José todavía era pagano. Más tarde, José recibe el bautismo, y el Señor lo consagra primer obispo del cristianismo mediante un óleo que, por otra parte, parece ser el de una consagración real más que sacerdotal. De hecho, este óleo consagrará más tarde a toda la dinastía del rey de Bretaña, hasta Uther Pendragon, padre del rey Arturo. José y los suyos tienen varias aventuras simbólicas, de las que nos ocuparemos, y en las que se repite el tema de la «Isla», antes de pasar a Inglaterra (país que hemos visto que había adoptado el significado de la «Isla Blanca») del modo sobrenatural que hemos explicado. En el Percevalli Gallois se encuentra la importante mención de que, ya antes de la muerte de Jesús, José había estado en la «Isla», adonde se dirigirá luego Parsifal, mientras que Robert de Boron habla también de misteriosos antepasados de José, a los cuales es necesario prestar igualmente servicio para conseguir formar parte de la Orden; la cual, siendo esto así, debía de existir ya antes de Cristo y del cristianismo. [...]
Sin embargo, en su misma forma cristianizada, esta búsqueda es igualmente desconocida en los primeros textos del cristianismo ortodoxo, y la tradición del Grial tiene visiblemente muy poco en común con la apostólico-romana. Sobre el segundo punto, hemos visto ya que el jefe de la estirpe regia del Grial, José de Arimatea, recibe directamente la investidura de manos de Cristo, y su dinastía, esencialmente real, no guarda relación con la Iglesia de Roma, sino que conduce directamente al reino nórdico del rey Arturo, y una de sus ramificaciones, según Wolfram von Eschenbach, desemboca en el reino simbólico del preste Juan, «rey de reyes». En cuanto al primer punto, si bien la literatura eclesiástica conocía ya el personaje de José de Arimatea y su encarcelamiento, no sabe nada del Grial, ni hay antiguos textos bretones (con excepción de uno, y en un solo pasaje, que parece intercalado) en los que José aparezca como apóstol cristiano de Inglaterra.
[...]
Ya en la llamada secta de los Iluminados de Baviera tenemos un ejemplo típico de la inversión de tendencias a la que hace poco hemos aludido. Ello resulta ya del cambio experimentado por el propio término «Iluminismo» [“Ilustración”] que en su origen estaba relacionado con la idea de una iluminación espiritual suprarracional, pero que posteriormente, por el contrario, se fue haciendo sinónimo de racionalismo, de teorías de las «luces naturales», y de antitradición. A este respecto, se puede hablar de un uso falseado y «subversivo» del derecho propio del iniciado, del adepto. El iniciado, si es verdaderamente un iniciado, puede situarse más allá de las formas históricas contingentes de una tradición particular; puede señalar —cuando reciba el mandato para ello— sus limitaciones y ponerse por encima de sus autoridades; puede rechazar el dogma, porque posee algo más, el conocimiento trascendente, y, en un orden de ideas bien distintas, sabe de la inviolabilidad de este conocimiento; finalmente, puede reivindicar para sí la dignidad de un ser libre, porque se ha desligado de los vínculos de la naturaleza inferior, humana. Del mismo modo, los «libres» son también los «pares», y su comunidad puede ser concebida como una «confraternidad». Pues bien, basta materializar, laicizar y democratizar estos aspectos del derecho iniciático y traducirlos en sentido individualista, para tener inmediatamente los principios-base de las ideologías subversivas y revolucionarias modernas. La luz de la mera razón humana sustituye a la «iluminación» y da origen a las destrucciones del «libre examen» y de la crítica profana. Lo sobrenatural queda arrinconado o se confunde con lo natural. La libertad, la igualdad y la paridad se convierten en las nociones prevaricadoramente reivindicadas por el individuo «consciente de su dignidad» —pero no consciente de su esclavitud frente a sí mismo—, para levantarse contra toda forma de autoridad y constituirse ilusoriamente en razón última de sí mismo, y decimos ilusoriamente porque, en la inexorable concatenación de las distintas fases de la decadencia moderna, el individualismo ha tenido la duración de un breve espejismo y de una falaz embriaguez, y el elemento colectivo e irracional, en la época de las masas y de la técnica, no ha tardado en absorber al individuo «emancipado», o sea, desarraigado y sin tradición.
Li anteriormente:
Imperialismo Pagano (1928)
Revolta Contra o Mundo Moderno (1934)
6 de agosto de 2023
Hitler y la Tradición Cátara
Jean-Michel Angebert
Hitler y la Tradición Cátara
(1971)
Jean-Michel Angebert, é o pseudónimo colectivo dos autores
franceses Michel Bertrand e Jean-Victor Angelini; Michel Bertrand
também publicou diversas obras sob o pseudónimo Jean Angebert e,
para complicar as coisas, também Jean-Victor Angelini já utilizou
esse mesmo pseudónimo.
Há, certamente, centenas de títulos acerca do suposto esoterismo
subjacente ao nacional-socialismo, mas esta escolha deve-se a ter
sido indicado, algures, como leitura complementar ao livro A Corte
de Lucifer, de Otto Rahn; e, de facto, todo um "capítulo
preliminar" é dedicado ao autor alemão.
De resto, este Hitler e as Religiões da Suástica (título da
edição portuguesa) aprofunda a análise à influência do
maniqueísmo e do dualismo, em particular o catarismo, na génese do
nacional-socialismo, uma teorização post-factum em que os
acontecimentos ocorridos são a fundamentação de quaisquer
interpretações das causas hipotéticas que residem na sua origem.
Como ilustração foram escolhidos dois parágrafos, significativos,
do Prólogo e um excerto do Capítulo VIII.
Creemos que no se debe retroceder ante el peligro, venga de donde
venga, sino, por el contrario, aclarar las tinieblas del conjunto del
conocimiento. Los historiadores del III Reich fracasaron en su
intento de explicación, porque no habían intentado trascender
cierta visión conformista de la Historia. El mito hitleriano sólo
puede ser comprendido situándolo en un sistema filosófico de
comprensión del mundo, en el seno de una corriente histórica de la
que no forma más que un eslabón dentro de la cadena de los tiempos.
Los que impulsaron a Alemania a abrazar el estandarte de la cruz
gamada no están muertos. Se hallan entre nosotros, como lo estaban
en todas las épocas y, sin duda, lo estarán hasta el Apocalipsis.
El nacionalsocialismo no fue para ellos más que un vehículo, y
Hitler solamente un instrumento. La empresa fracasó. Se trata ahora
de resucitar el mito con otros medios, tal como fue realizado en el
pasado. El objetivo de este libro es levantar el velo y divulgar las
grandes corrientes que atraviesan la Historia, corrientes
subterráneas secretas, es cierto, pero muy reales y potentes,
animadas como están por hombres imbuidos de una creencia fanática
en su misión. Las fuerzas ocultas se preparan en la sombra, en tanto
que, sobre la escena, actores impasibles representan tranquilamente
una pieza inmutable ante los ojos de un público ignorante.
[...]
Sin embargo, lo que puede parecer sorprendente es que, si los
profetas y los fundadores de este movimiento se consideraban
iniciados por estas tradiciones orientales, no deberían haber
desconocido su destino. Ya que, desde el punto de vista divino, la
iniciación occidental y oriental enseña el carácter sacrificial de
estos mismos profetas y fundadores de religión...
Así, desde su iniciación, el movimiento
nacionalsocialista estaba condenado, por su propia mística, a la
aniquilación total y sin
remedio; el único error de los dirigentes fue el de no extraer
las consecuencias y arrastrar en su locura
a una parte del planeta. Si hubieran profundizado un poco más en la
tradición indo-tibetana,
habrían podido darse cuenta del efecto de bumerang
que les estaba destinado: la tradición
oriental, revela, en efecto, que
el avatara primordial del ciclo actual, que no es otro que el
niego, debe retornar, al final del ciclo,
para abrasar el mundo y reducirlo
a cenizas.
1 de agosto de 2023
La Corte de Lucifer
Otto Rahn
La Corte de Lucifer (1937)
Se o anterior Cruzada contra o Graal era, basicamente, um estudo histórico sobre as expedições movidas pela Igreja de Roma e pela coroa francesa sobre a Occitânia, com o fim de eliminar a heresia cátara, A Corte de Lucifer é um registo das viagens do autor naquela região, a sua visita aos lugares onde se desenvolveram aqueles factos históricos, as conversas que manteve com as pessoas, a análise do que ainda perdurava na memória colectiva, as suas conjecturas e conclusões acerca de um tema que dominava, e sobre o qual sentia uma ligação familiar, através dos seus antepassados "pagãos e hereges", aos quais se refere várias vezes. A viagem não se fica só pela Occitânia, e Otto Rahn procura vestígios do passado também no Norte de Itália, Tirol, Suíça e através da Alemanha, num percurso hipotético que terá levado Wolfram von Eschenbach, autor de Parzival, da Provença à sua terra de origem. O percurso segue depois sempre para Norte, pelo Báltico, pelo Mar do Norte e Atlântico, à Islândia, em busca da lendária Thule, referida por Píteas e Estrabão.
En el presente, a Ginebra confluyen de todos los países los delegados de las naciones que tienen asiento en la League of Nations o Societé des Nations. Los ginebrinos han encontrado otra designación para ésta: Societé des Passions. En castellano: Sociedad de las Pasiones. Muchas naciones y casi todas las razas están representadas aquí para poner más orden en Europa y en el mundo. Para las asambleas en las que hablan en voz alta o ríen bajito los representantes judíos de la Rusia soviética, han construido un palacio monstruoso. Algunos alemanes sin trabajo, al construirlo, han ganado algunos francos. El salario les ha llegado apenas para comer hasta satisfacerse. Faltaron los cincuenta céntimos por día para un camastro en los albergues del Ejército de Salvación, por lo que sólo pudieron acudir a los asilos nocturnos para vagabundos. Estos alemanes tendrán hoy nuevamente pan suficiente y buena cama. En casa.
El palacio de la Sociedad de las Naciones, con su blanco estridente y sus gigantescas dimensiones, irrumpe brutalmente en el paisaje de la antes tan armónica y agradable Ginebra entre el Jura, el Saleve y el Voirons; se levanta en medio de un gran parque del que los ginebrinos, antes con toda razón, se sentían orgullosos y cuya paz deploran haber perdido: el parque Ariana. Con el nombre de Ariana, aquella potencia que teje el destino y la historia del mundo, se ha permitido un chiste.
Ariana es el antiguo nombre de Irán. Lo ostentó la región de los parsis en conmemoración de un "país primitivo ario creado por el dios luminoso", Ariana. Los escritos sagrados de los tiempos antiguos de los arios iraníes informan que cierto día surgió la "serpiente del invierno", y el luminoso paraíso, donde los hombres eran felices y donde ellos siempre vieron a la divinidad, se transformó en una tierra fría, "fría para el agua, fría para la tierra, fría para la vegetación". Por siempre habrá ahora allá "diez meses de invierno y dos meses de verano". (Domina el clima ártico.) De Ariana llegaron los hombres arios. También los indios arios supieron de esta luminosa patria primitiva, el país de los uttarakuru, de los hombres del norte, la "Isla del Esplendor" a orillas del mar Blanco o mar Lácteo, el "divino país de los arios". Ellos enseñaban: "Sé tu propia luz, haz acciones, hazte sabio, sé más fuerte, y podrás entrar al divino país ario".
Oh, ¡parque Ariana de Ginebra! Oh, ¡palacio de la Liga de las Naciones!
Li anteriormente:
Cruzada contra el Grial (1933)
23 de xullo de 2023
El Desembarco
Jean Raspail
El Desembarco (1973)
El desembarco, é a versão em
espanhol de Le Camp des Saints, o célebre e premonitório
romance de Jean Raspail, publicado em 1973. A narração começa numa
segunda-feira de Páscoa, quando uma frota decrépita de uma
centena de navios, vinda do Ganges, desembarca um milhão de
maltrapilhos na costa sul de França, decididos a invadir aquilo que
consideram o paraíso. Isto enquanto, pelo Terceiro Mundo, outras
frotas semelhantes se preparam para seguir o seu exemplo. Depois
volta umas semanas atrás e faz a cronologia dos acontecimentos que
desembocaram naquele autêntico Dia de Juízo Final, os preconceitos
políticos e ideológicos da liderança de uma sociedade francesa (e
ocidental, de um modo geral) decadente e suicida, que decide enfiar a
cabeça na areia e fechar os olhos à realidade. Uma sucessão de
cenas plenas de comportamentos ridículos, obtusos, do que hoje se
chama "sinalização de virtude", movidos pela
desonestidade, pela indiferença, ou até pela plena consciência das
consequências, concluídas com a frase "Talvez esta seja outra
explicação" (para a catástrofe). No final, o livro acompanha
o último punhado de resistentes, que, com enorme ironia, encenam uma
farsa que os levará ao desfecho inevitável, num mundo onde já não
têm lugar.
O que mais impressiona, na actualidade
do tema, é o facto deste romance ter sido publicado faz agora 50
anos; descontando o ocasional anacronismo, o discurso e a ideia geral
adaptam-se como uma luva ao tempo presente.
Decir que la noticia de la partida de la flota, cuando fue conocida y publicada, inquietó seriamente al mundo occidental, sería, de entrada, contrario a la verdad. Por eso tanta gente, acto seguido, untó, con complacencia y talento, sus rebanadas con la nata segregada de su cerebro. Las «vacas lecheras» del pensamiento occidental contemporáneo se prestaron meneando el rabo al ordeño cotidiano; tanto más alegremente cuanto que nada demostraba, por el momento, que se estuviese en presencia de un problema grave. Si se quiere comprender algo de la opinión occidental, cara a la flota inmigrante o cara a cualquier otra cosa de una naturaleza extraña, hay que empaparse de una noción esencial, a saber, que todo le importa un pito. Resulta curioso comprobarlo, pero su inmensa ignorancia, la apatía de sus reacciones, la vanidad crasa y el mal gusto de sus impulsos cada vez más escasos, no hacen sino aumentar al ritmo de la información que recibe. ¡Oh! ¡Desde luego! Se ofrece estados de ánimo yendo al cine y se conmueve con la novela de la tele, espontáneamente o merced a la obra de profesionales. El espectáculo del mundo, servido a domicilio por la prostituta llamada Mass Media, viene simplemente a animar la nada donde está sumida hace mucho tiempo. Quien cree pensar no hace sino salivar ante el acontecimiento. A nuestra vez, no escupamos sobre esa saliva. Babeada a la hora de las informaciones o de la lectura de los periódicos, demuestra que hay un juego aparente del pensamiento, como la saliva del perro de Pavlov establecía el mecanismo del instinto. La opinión anima su inercia. Se cree en serio que un occidental medio cualquiera, confrontado con los grandes movimientos del mundo, al salir de la fábrica o de la oficina, no consigue otra cosa que una interrupción provisional del aburrimiento monumental donde se mueve. El Pacto mismo, el Santo Pacto, salvavidas de nuestras sociedades modernas, no es más que una diversión. La Luna, Biafra, un terremoto mortífero, una campaña anticontaminación, una Guerra de Seis Días, una Bahía de los Cochinos, una muerte de Mao no son, de hecho, sino Navidades en las que la nada del pensamiento se adorna de pronto con guirnaldas y toca la flauta. He aquí que no nos aburrimos ya, algo es algo y ya es mucho, ¡con tal de que dure! No es domingo todos los días. Hambre en Pakistán o guerra en Israel. Entre paréntesis, demos las gracias a los israelíes, grandes bufones del mundo occidental. Cuando están en el escenario, ya no nos aburrimos. La gente puede dormir tranquila: al despertar, el día siguiente, el café echará humo con un sabor nuevo al son de los cañones de Israel. Pero ¿sentirse aludido? ¡Jamás! ¿Para qué?













